Afeganistão: Capital dos Errantes

Os refugiados do último lugar da fila

Pedro Coelho

Pedro Coelho

Jornalista Grande Reportagem SIC

A história repete-se. Repete os seus momentos mais negros. A Segunda Guerra Mundial, maior pintura de caos do século XX, produziu 50 a 70 milhões de mortes, colocou no centro do quadro o Holocausto e promoveu o maior êxodo de sempre da história da humanidade. Estamos cada vez mais perto desse martírio.

De um lado a Europa fortaleza, emoldurada de tiques populistas, do outro a guerra que, em diversas geografias árabes, travou a Primavera dos protestos. Essas guerras civis, alimentadas pelo gelo político das grandes potências, produzem os milhões de refugiados que a Europa fortaleza rejeita. Em 2014 já existiam quase 60 milhões de deslocados de guerra. Nunca estivemos tão próximos dos êxodos maciços da Segunda Guerra Mundial.

Em ano de eleições europeias é a política de integração da União que os eleitores também terão de julgar.

De entre esses deserdados do caos um grupo ocupa o último lugar da fila: os afegãos. As políticas de integração da União Europeia excluem-nos da lista de acolhimento. As exceções confirmam a regra. Se até 2016 os países nórdicos, a Alemanha e a Itália entreabriram a porta, depois dessa data endureceram as políticas: os repatriamentos têm sido a norma.

A União Europeia não considera o Afeganistão um país em guerra e é isso que exclui os deslocados afegãos dos programas de recolocação. A interpretação europeia é contrariada pela descrição dos factos: o Afeganistão está em guerra, quase sem pausas, desde 1979.

Mian Kursheed

Este estado de guerra permanente forçou o deslocamento interno de mais de um milhão de pessoas, que vivem em condições desumanas, nos campos de Herat e Mastan, sem trabalho e sem acesso à saúde, como relata a Amnistia Internacional.

O número de deslocados da guerra, que se instalaram nos vizinhos - Irão e Paquistão - tem subido em flecha, ultrapassando já os 2,5 milhões. Muitos têm conseguido chegar à Turquia, atravessando o Irão.

Os que conseguem chegar à Europa, fazem-no pela porta da Grécia. E é lá que ficam, em campos de refugiados, campos de acolhimento, ou vagueando pelas ruas de Atenas, sem norte e sem sorte.

A comunidade afegã em Portugal é das mais pequenas da União Europeia.

Num trabalho que nos irá conduzir até às vésperas das eleições europeias, iremos visitar a realidade afegã a partir do olhar, perdido na Europa, dos afegãos em Portugal, mas também focados no pesado quotidiano dos que não conseguiram cruzar a fronteira da Grécia.

Uma história de muitas histórias, que iremos conhecer online e nas antenas da SIC e da SIC Notícias.

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