Afeganistão: Capital dos Errantes

Num país onde a música é banida 30 raparigas desafiam o Islão

Num país onde a música é banida 30 raparigas desafiam o Islão

Mariana Teófilo da Cruz

Mariana Teófilo da Cruz

Jornalista Estagiária

A Orquestra Zohra é a primeira orquestra afegã constituída apenas por raparigas, dos 12 aos 18 anos, que vêm de vários pontos do país. Esta orquestra quer mostrar o lado do Afeganistão que ninguém vê.

Existe há quase quatro anos e são cerca de 30 as raparigas que enfrentam famílias e lutam contra as proibições da cultura. Nenhuma conhece o Afeganistão sem guerra e a maioria vive em orfanatos, em Cabul, para tentar o sonho da música.

Entre a queda do regime soviético e a queda do regime talibã viveram-se mais de 30 anos de silêncio. A música foi censurada e a educação musical foi proibida. Ahmad Sarmast é um dos principais responsáveis pelas mudanças culturais no Afeganistão dos últimos anos. Viveu exilado na Austrália durante o regime talibã e regressou em 2010 com o propósito de devolver às crianças afegãs o direito de aprenderem música. Nesse ano o musicólogo fundou o Instituto Nacional da Música do Afeganistão, onde havia apenas oito raparigas inscritas. Nove anos depois são quase cem que têm a oportunidade de aprender música. Trinta delas fazem parte da Zohra.

Zohra é a Deusa Persa da música. E nesta orquestra aconteceu o princípio de uma revolução da música afegã: a primeira maestrina afegã, a primeira mulher afegã a tocar violoncelo e a tocar oboé. A luta pelos direitos da mulher e pelo reavivar da cultura afegã estão na génese deste grupo. A orquestra está a recuperar instrumentos típicos afegãos que caíram em desuso com a censura talibã.

A orquestra feminina afegã esteve no mês de setembro em Lisboa para um concerto na Fundação Calouste Gulbenkian. Contaram na primeira pessoa como é lutar por uma mudança num país que vive em guerra há mais de 40 anos.

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