Afeganistão: Capital dos Errantes

Renascer em Portugal

Renascer em Portugal

Inês Costa Soares

NOVA FCSH, Ciências da Comunicação, 3º ano

João Ricardo Oliveira

NOVA FCSH, Ciências da Comunicação, 3º ano

Olhando para os sucessos e falhas, quais continuam a ser os desafios, objetivos e ambições da integração de refugiados em Portugal?

A crise migratória da Europa começou a atingir dimensões críticas a partir de 2015. Em Portugal, a PAR, Plataforma de Apoio aos Refugiados, surge para ajudar no processo de integração dos que fugiam do terror. As condições foram criadas e a segurança foi garantida aos quase 1.700 que chegaram a território nacional.

Várias bolsas para estudantes refugiados foram anunciadas, alguns municípios do País mostraram-se dispostos a integrar refugiados no seu mercado local, maioritariamente agrícola, e nasceram projetos de inclusão social como é o caso do restaurante Mezze, que só emprega refugiados.

No entanto, continuam a existir problemas na integração destas pessoas. Para além de metade dos que chegaram terem saído do País, entraves como a ausência de diálogo entre as organizações envolvidas e o Governo, os vários atrasos do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e as dificuldades na realização de aulas de português, dificultam a adaptação dos refugiados à nossa cultura.

Olhando para os sucessos e falhas, quais continuam a ser os desafios, objetivos e ambições da integração de refugiados em Portugal?

Guerras, fome, violações dos direitos humanos levaram centenas de milhares de pessoas a tentar entrar na Europa e a solicitar asilo. Durante a crise, o Governo português disse que Portugal estava pronto para receber cerca de dez mil refugiados. Pronto e com vontade, de forma também a combater o défice demográfico.

De 2015 a 2018, chegaram 1.674 refugiados a Portugal. Um pouco mais de um terço foi apoiado pela PAR, coordenada pelo Serviço Jesuíta aos Refugiados. Trata-se de uma rede colaborativa de mais de 350 organizações da sociedade civil portuguesa para o apoio aos refugiados e à sua integração.

No entanto, das que chegaram apenas metade é que permaneceu em território nacional. E das que permanecem aqui, nem todas têm o estatuto de residência. O que é o mesmo que dizer que não podem fazer coisas como trabalhar e ir ao hospital.

Mas demos a voz a quem percebe do assunto. Carlota Muralha, responsável pela comunicação da PAR, entende a saída dos refugiados do nosso país como algo natural. Isto porque não podemos comparar a rede nacional criada com a de países como a Alemanha e a França, que estão muito melhor preparados e que por isso já possuem um núcleo bastante considerável de imigrantes.

No entanto, essa não é a única explicação. Carlota Muralha aponta para o défice de diálogo entre as várias instituições envolvidas, apesar de notar já alguma evolução.

Alaa Alhariri é refugiada síria e chegou a Portugal ao abrigo da Plataforma de Assistência a Estudantes sírios de Jorge Sampaio. Alaa acabou por ficar por cá e é hoje uma cara importante na hora de receber os imigrantes.

Portugal é um bom destino? “Não existem bons ou maus destinos, as pessoas querem é segurança”, clarificou Alaa. Acabada de tirar mestrado em Arquitetura, a jovem síria, de 26 anos, sente-se bem em Portugal e admira a vontade das pessoas em ajudar os que vêm das cinzas.

O problema é que existem alguns mecanismos que abafam essa enorme vontade. Para Alaa, a falta de aulas de português é um entrave enorme, para além dos “papéis” que tardam em ser despachados. Papéis esses que oficializam o estatuto de residência a quem tanto precisa dele. A responsabilidade é do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

Alaa não quis ser apenas uma cara familiar aos que chegavam.

A vontade em combater os aspetos menos bons foi crescendo e culminou num projeto de inclusão social onde os sabores do Médio Oriente são a especialidade da casa.

O restaurante Mezze, fundado por Francisca Gorjão e co-fundado por Alaa, só emprega refugiados e junta o esforço em dar a conhecer a cultura oriental a uma ajuda importante aos seus colaboradores.

Rafat é um dos que lá trabalha, mas não é um qualquer. De empregado de mesa a gerente do restaurante em apenas dois anos, Rafat fugiu da guerra com 15 anos e trabalha no que diz ser o maior projeto da sua vida.

É sírio e passou três anos no Egito antes de vir para Portugal com a família que restava: Rafat perdeu o pai na crueldade da guerra.

Rafat faz parte dos 40% integrados pela PAR que já não precisa de ajuda económica e é um exemplo de como a integração em território nacional pode correr bem, apesar de reconhecer que tem amigos que não tiveram a mesma sorte.

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    10:18