André Ventura

Legislativas: Chega aponta para aumento de pensões como condição para viabilizar Governo

19.01.2022 08:58

epa09694009 Andre Ventura, Chega president, during a campaign for the legislative elections, Aveiro, Portugal, 18 January 2022. On 30 January more than 10 million voters living in Portugal and abroad are on the electoral rolls on for the choice of the 230 deputies for the Portuguese Parliament. EPA/JOSE COELHO

Ventura defendeu como condições essenciais para viabilizar qualquer Governo a redução do IVA da eletricidade e o fim das portagens.

O líder do Chega afirmou que o aumento das pensões é uma condição para viabilizar um Governo de direita, recusando “repetir o que foi feito entre 2011 e 2015” no Governo PSD/CDS-PP.

“O PSD deve saber isto para que não diga que foi ao engano: Nós não aceitaremos repetir o que foi feito entre 2011 e 2015 que é cortar milhões em pensões em Portugal. Um Governo de direita tem que aumentar pensões e não diminuir as miseráveis pensões em que vivem hoje os portugueses”, afirmou na noite de terça-feira André Ventura, o presidente do partido de extrema-direita, num discurso no final de um jantar-comício em Aveiro.

Além das pensões, André Ventura defendeu como condições essenciais para viabilizar qualquer Governo a redução do IVA da eletricidade e o fim das portagens.

Sobre como acomodar todas essas medidas, o responsável do partido referiu que há “centenas de milhões” de euros que podem ser cortados em instituições e observatórios do Estado.

Se à tarde, antes da arruada em Aveiro, Ventura surgia com um tom conciliatório, perspetivando entendimentos à direita face ao debate televisivo na RTP no dia anterior, agora, perante os militantes, criticou todos os seus potenciais parceiros.

“Sem nós, a direita não conseguirá governar e bastava ver o desnorte em que se encontravam, porque continuam incapazes de falar das pessoas comuns”, referiu.

Para o líder do Chega, CDS-PP, Iniciativa Liberal e PSD “tornaram-se partidos de alguns, de pequenas elites incapazes de falar para o cidadão comum”.

No discurso, voltou a atacar a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, considerando que esta “passou todas as marcas” na terça-feira, ao ter ido ao Bairro da Jamaica, no Seixal, distrito de Setúbal, onde se encontrou com a família Coxi, que foi insultada por André Ventura, o que resultou numa condenação do presidente do Chega pelo Tribunal da Relação.

“As preocupações de Catarina Martins são a derrota de Ventura”, protestou, para acusar o Bloco de Esquerda de só querer “votos e mais votos e não quererem saber de mais nada”.

Apesar disso, pouco tempo depois, o discurso de Ventura centrava-se no apelo ao voto, frisando que “ninguém pode ficar em casa” e que chegou o momento do Chega definir a força que vai ter.

Ao longo de mais de 20 minutos, o presidente do partido de extrema-direita voltou também a falar de uma alegada “subsidiodependência”, de Portugal ter a quinta gasolina mais cara do país e da elevada carga de impostos que os portugueses têm de suportar (apesar de Portugal, segundo o Instituto Nacional de Estatística, ter tido uma carga fiscal abaixo da média europeia em 2020).

“Estamos debaixo de fogo”, queixou-se Ventura, durante o discurso, mas salientou que isso só dá “mais força” ao Chega.

“Nós somos como aqueles pugilistas, que à medida que levam mais, têm mais força. Nós somos uma espécie de Rocky Balboa do século XXI”, disse, fazendo uma alusão à personagem fictícia do pugilista nascido no seio de uma família italo-americana, que cresceu num bairro pobre de Filadélfia, nos Estados Unidos.

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