Eleições Autárquicas

Rio sorri, Costa falha, Marcelo alerta

Opinião

Bernardo Ferrão analisa os resultados e as consequências das eleições autáquicas.

Bernardo Ferrão faz o rescaldo das eleições autárquicas do passado domingo e vê que Rui Rio tem razões para sorrir, António Costa para se preocupar e Marcelo Rebelo de Sousa para ficar descansado por começar a surgir uma alternativa de Direita como já expressou desejar.

Rui Rio ri

Bernardo Ferrão diz que os resultados das eleições autárquicas no PSD vieram fortalecer a posição de Rui Rio no partido e complicar a vida a quem já pensava avançar para a disputa pela liderança dos sociais-democratas.

"A questão interna no PSD, eu acho que ficou adiada porque, na semana passada, o tema quase único dentro do PSD ou quem falava com as várias fontes no PSD era o que se iria passar na semana seguinte, ou seja, esta semana, face aos resultados que se adivinhavam por parte do PSD como um todo, resultados esse que foram completamente diferentes. O que eu acho que se passa no PSD é um adiamento daquilo que poderia ter acontecido esta semana. O que me parece é que continuam a afiar as facas, mas esse afiar de facas vai continuar ainda por mais algum tempo", diz.

Rui Rio recebeu também duras críticas internas no PSD, entre as quais, as de Miguel Morgado.

"Ontem, ouvimos, por exemplo, Miguel Morgado, que esteve na equipa de Carlos Moedas, um 'passista' da linha mais dura, Miguel Morgado dizia ontem [segunda-feira] que Rui Rio se estava a apoderar dos bons resultados que os vários candidatos no país, incluindo Carlos Moedas, tinham conseguido nestas eleições autárquicas. Miguel Morgado dizia, ou deixava entender, que Rui Rio teria dado pouco apoio a muitos destes candidatos, mas que agora, que a vitória tinha sido alcançada, Rui Rio se estava a apoderar para conseguir, assim, manter-se mais tempo na liderança do PSD", acrescenta Bernardo Ferrão.

A redução do fosso de câmaras municipais socialistas e sociais-democratas foi também avaliada, sendo uma promessa de Rio quando assumiu a liderança do PSD, o que leva Bernardo Ferrão a crer que o líder se quererá recandidatar ao lugar que atualmente ocupa, mesmo com Paulo Rangel à espreita.

"Paulo Rangel pode ter agora, se quiseres, guardado as facas, mas as facas ainda estão nos bolsos e vão sair até janeiro, certamente, porque parece-me que Paulo Rangel vai avançar", refere.

Está tudo bem para António Costa, mas estará?

Segundo António Costa, os maus resultados nestas eleições autárquicas não terão, como efeito, remodelações no Partido Socialista.

"António Costa é sempre muito hábil na forma como se expressa, não foi tão hábil na campanha, e isso valeu-lhe esta fatura que está agora a pagar. Eu acho que a remodelação acabará por acontecer, porque eu acho que o próprio António Costa acabará por reconhecer que, para refrescar o Governo, para ter o 'Governo 2.0' que precisa agora para os próximos anos, ele tem de encontrar aqui novas caras, e esse é um problema", considera o diretor-adjunto de informação da SIC.

Pedro Nuno Santos, na opinião do comentador, apreciou a noite eleitoral, pelo fraco resultado de Medina e pela má imagem de António Costa.

"[Pedro Nuno Santos] já fez um discurso com algumas críticas à forma como o Ministério das Finanças gere alguns dossiês. Isto já é um sinal que está a dar para o caminho que vai percorrer."

Também o momento do discurso de derrota de Fernando Medina, em que refere que a responsabilidade da perda da câmara municipal para Carlos Moedas é apenas dele, é vista como uma forma de proteção política.

"Acho que Fernando Medina só o diz para fazer aqui aquilo que é proteger o resto do Governo do Partido Socialista para que a derrota de domingo não contamine tudo o resto", acrescenta.

A explicação para uma Lisboa laranja

"Eu acho que houve muita arrogância de Fernando Medina, acho que os debates não lhe correram particularmente bem, apesar de Carlos Moedas também não ter estado bem. Acho que a sua gestão também teve alguns erros. E acho que ainda é mais grave a derrota de Fernando Medina quando olhamos para a campanha de Carlos Moedas. Carlos Moedas não fez uma campanha boa, fez uma má campanha. E depois acho que Fernando Medina, em relação a António Costa, não lhe pode propriamente agradecer, porque acho que o que António Costa fez, tomando conta da campanha nacional e, também, da campanha de Lisboa, António Costa abafou totalmente e deu uma convicção de vitória".

Marcelo rejeita crise e sorri perante crescimento de uma alternativa de Direita

"A crise política, é impossível pensar nela neste momento, porque, para quê fazer uma crise política? Se António Costa causasse uma crise política, arriscava-se, não a ter uma maioria absoluta, mas um Governo de minoria, ainda sem o PCP e o Bloco de Esquerda. O PCP se fosse para eleições num momento de crise política, provavelmente teria um resultado muito fraco. Ninguém tem interesse numa crise política, portanto, entendo o que diz Marcelo Rebelo de Sousa. E parece-me que Marcelo Rebelo de Sousa tem razão para sorrir, porque se começa a delinear a alternativa de Direita que ele tanto tem pedido."

Veja também:

  • O planeta em que todos vivemos

    Futuro Hoje

    O Planeta Lourenço terá que ser ainda mais simples e eficaz na mensagem. É um risco. Frequentemente, quando me mostram aparelhos ou programas as coisas falham, é o que chamo de síndrome da demonstração. Mas isto acontece na vida real, é assim que vamos fazer.

    Opinião

    Lourenço Medeiros