Eleições Autárquicas

Autárquicas: oposição na Câmara do Porto indisponível para coligações pós-eleitorais

PEDRO GRANADEIRO

Rui Moreira foi reeleito, mas perdeu a maioria absoluta.

Os partidos da oposição na Câmara do Porto dizem não ter recebido convites e manifestaram a sua indisponibilidade para coligações pós-eleitorais com Rui Moreira, que a 26 de setembro perdeu a maioria absoluta que detinha na autarquia.

Segundo os dados provisórios do Ministério da Administração Interna, para a Câmara Municipal do Porto o movimento de Rui Moreira elegeu, nas autárquicas de domingo, seis mandatos e a oposição elegeu sete (o PS três, o PSD dois e a CDU e o Bloco um cada), bastando, por isso, que um destes vereadores se junte ao independente para que este assegure ao longo dos próximos quatro anos a governabilidade da câmara, sem grandes percalços.

Se nenhum vereador da oposição se quiser vincular ao executivo de Moreira, o autarca terá de encontrar convergências e consensos para cada uma das decisões a serem votadas ao longo dos próximos quatro anos nas reuniões de câmara.

O Bloco de Esquerda, que pela primeira vez conseguiu eleger um vereador para a Câmara Municipal do Porto, disse à Lusa não ter recebido qualquer contacto, reiterando que "não negoceia acordos com a direita, mantendo a coerência do programa que apresentou à cidade".

"A vereação do Bloco de Esquerda será oposição ao executivo de Rui Moreira nos próximos quatro anos, juntando o seu voto a cada medida que caminhe no sentido da resolução dos problemas das pessoas", acrescenta o cabeça de lista do BE nestas autárquicas, Sérgio Aires, numa resposta escrita à Lusa.

Salientando que a sua eleição foi decisiva para que Rui Moreira não alcançasse o seu objetivo de manter a maioria absoluta, o eleito considera que o resultado é "bom para a democracia e é bom para o Porto" e "obrigará agora o próximo executivo ao exercício da humildade democrática na apresentação e aprovação das propostas".

Também o socialista Tiago Barbosa Ribeiro reiterou a posição assumida durante a campanha eleitoral, rejeitando qualquer entendimento com o reeleito presidente da Câmara do Porto.

Ouvido pela Lusa, o também presidente do PS Porto disse que o partido será uma oposição "construtiva e não destrutiva", admitindo estar disponível para trabalhar pelas propostas do partido e "encontrar soluções" em matérias chave como, por exemplo, o orçamento municipal.

Questionado sobre se o PS aceitaria uma proposta idêntica à que foi feita ao socialista Manuel Pizarro, que em 2013 assumiu, a convite de Rui Moreira, a pasta da Habitação e da Coesão Social, Tiago Barbosa Ribeiro voltou a rejeitar qualquer entendimento, salientando que "esta não é uma questão de lugares, é mesmo uma questão de política".

Tiago Barbosa Ribeiro, que disse que até ao momento não foi contactado ou recebeu qualquer convite por parte do Movimento de Rui Moreira, afirmou ainda considerar que as questões de governabilidade não se colocam nas câmaras municipais.

Por seu turno, o cabeça de lista do PSD, Vladimiro Feliz - que afiançou que até ao momento também não foi contactado -, salienta que os eleitos irão cumprir os mandatos como vereadores - sem pelouro -- durante os quatro anos.

"O PSD vai cumprir com a proposta apresentada aos portuenses, onde estão enumeradas as 275 medidas fundamentais a implantar pela Câmara do Porto. Tudo o que, na nossa opinião, fuja aos interesses dos habitantes desta cidade e se oponha às linhas do nosso programa, vai contar com a oposição dos vereadores sociais-democratas", assinala numa resposta escrita à Lusa.

Contactado pela Lusa, fonte ligada ao Movimento de Rui Moreira escusou-se a tecer comentários.

Numa conferência de imprensa ao final da manhã, a CDU disse estar indisponível para assumir pelouros na Câmara do Porto, mas admitiu viabilizar, na Assembleia Municipal, um candidato que garanta tratamento equitativo e a independência daquele órgão.

"Qualquer solução para o futuro, tendo em conta as práticas [da maioria nos últimos oito anos] e o antagonismo de programas e de visão de cidade, levam a que não haja da parte da CDU qualquer disponibilidade para assumir pelouros, embora naturalmente estejamos empenhados a aprovar tudo o que de positivo surgir", declarou a vereadora da CDU reeleita para Câmara do Porto, Ilda Figueiredo, que já tinha avançado à Lusa não ter recebido qualquer contacto da parte do movimento do independente.

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