Brexit

Empresas britânicas criticam políticos por se fixarem nas discordâncias internas

Kirsty Wigglesworth

Governo de Londres dará "prioridade operacional" aos preparativos no Reino Unido para uma possível saída sem acordo.

As empresas do Reino Unido criticaram hoje os políticos por se concentrarem nas suas discordâncias internas ao invés de preparar o país para o período pós Brexit, diante de uma possível saída da União Europeia (EU) sem acordo.

A 100 dias da saída da UE , a 29 de março de 2019, vários grupos empresariais admitiram, num comunicado, que as empresas "observam com horror" as disputas internas em Westminster, sede do Parlamento britânico em Londres.

O Governo britânico anunciou, na terça-feira, que dará "prioridade operacional" aos preparativos no Reino Unido para uma possível saída da UE sem acordo, devido à recusa dos parlamentares britânicos de diferentes partidos em aprovar o pacto assinado entre Londres e Bruxelas.

Medidas para empresas

Na nota, as Câmaras Britânicas de Comércio, a Confederação da Indústria Britânica, a organização industrial EEF, a Federação de Pequenas Empresas e o Instituto de Diretores afirmaram que as empresas "observam com horror os políticos que estão concentrados em disputas partidárias ao invés de medidas práticas que as empresas necessitam para avançar".

"A falta de progresso em Westminster implica um aumento do risco de um Brexit sem acordo", disseram as organizações.

O Governo conservador informou, na terça-feira, que enviou cartas a 140 mil empresas para lhes pedir que implementem os seus planos de contingência na possibilidade de um Brexit não negociado".

Os grupos empresariais, que representam milhares de empresas no Reino Unido, acrescentam que "é claro que não há tempo suficiente para evitar um transtorno grave em apenas 100 dias".

As empresas expressam a sua insatisfação porque os fundos que poderiam ser usados para investimento terão de ser usados para os planos diante de um possível Brexit sem acordo com a UE.

Votação em janeiro

A Câmara dos Comuns britânica votará o acordo do Brexit, assinado entre o Governo da primeira-ministra britânica, Theresa May, e a UE somente em janeiro, depois de a votação do pacto ter sido suspensa no dia 11 de dezembro.

O chefe do Governo já indicou que os líderes da UE se mostraram favoráveis em dar "esclarecimentos" sobre as questões do pacto que inquietam os deputados britânicos, em particular a "salvaguarda" pensada para evitar uma fronteira física entre as duas Irlandas.

Essa salvaguarda ou "garantia" prevê que o Reino Unido permaneça na união aduaneira e que a Irlanda do Norte também esteja alinhada com certas regras do mercado único, até que seja estabelecida uma nova relação comercial entre ambas as partes, negociada durante o período de transição - entre 29 de março de 2019 e o final de 2020.

Com LUSA