Brexit

Merkel insiste em saída ordenada do Reino Unido e admite "breve prorrogação"

Hannibal Hanschke

Chanceler alemã lamenta que, "a oito dias da saída formal não haja uma "resposta definitiva" para o Brexit.

A chanceler alemã apelou hoje a uma saída ordenada do Reino Unido e acredita que uma "breve prorrogação" do 'Brexit' poderá ser concedida a Londres, desde que o Parlamento britânico aprove o acordo negociado com a União Europeia (UE).

"Permaneço convencida de que precisamos de uma solução ordenada para a saída do Reino Unido da UE", no interesse tanto de Londres, como dos outros países do bloco europeu, declarou Angela Merkel antes do Conselho Europeu, que se realiza hoje em Bruxelas.


Angela Merkel lamentou que, "mesmo a oito dias da saída formal do Reino Unido, ainda não haja uma "resposta definitiva" para a questão de como será o 'Brexit'.


A chanceler enfatizou que se o objetivo for uma saída ordenada, será preciso "lutar até ao fim" por isso, embora tenha reconhecido que "não é fácil".


Merkel disse que os vinte e sete vão discutir hoje "intensamente" o pedido feito na quarta-feira pela primeira-ministra britânica, Theresa May, por uma extensão do 'Brexit'.


"Em princípio, podemos corresponder a esse desejo", disse, mas sob a condição de que o Parlamento britânico emita na próxima semana uma votação positiva sobre o acordo negociado entre Londres e a UE.


Nesse sentido, "podemos definitivamente falar sobre uma pequena extensão", referiu a chanceler alemã.


No entanto, no caso de o Parlamento voltar a rejeitar o acordo na próxima semana, será necessário discutir os termos de uma prorrogação, uma vez que, recordou Merkel, no final de maio há eleições europeias e isso implica certos aspetos jurídicos que devem ser cumpridos, acrescentou.


Independentemente de como seja a saída do Reino Unido, a UE pretende manter com Londres "boas e estreitas relações", tanto em matéria de política externa e segurança, cooperação em matéria de segurança interna e também no domínio da ciência e investigação.


"Da nossa parte, a porta para uma colaboração próxima em termos de amizade e benefício mútuo está totalmente aberta", disse a chanceler.


Por outro lado, Merkel sublinhou que, por mais doloroso que seja o 'Brexit', a UE tem de lidar também com outras questões fundamentais para o futuro da Europa, como o reforço do euro, a luta contra o desemprego e a estratégia económica e comercial.


Segundo Merkel, há avanços que, no entanto, não são suficientes para o futuro.


"O desemprego caiu na UE, embora ainda haja muitas pessoas sem trabalho. Há crescimento económico em todos os países da UE, embora as perspetivas tenham sido nebulosas. O desenvolvimento está a caminhar na direção certa, mas não é suficiente", disse Merkel.


A chanceler referiu-se aos desafios da digitalização, não só para evitar a destruição de empregos, mas também para criar condições para o surgimento de novos empregos.
Questões de defesa e segurança e relações comerciais com outras regiões do mundo também envolvem vários desafios.


Angela Merkel também falou sobre à questão da migração e disse que países diferentes podem ter posições diferentes, mas "o que não é aceitável é que alguns se recusem completamente a participar na distribuição solidária de refugiados".

Lusa

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