Brexit

Trabalhistas declaram fim das negociações para chegar a acordo sobre o Brexit

Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista.

Peter Nicholls

As conversações terminam, assim, sem um entendimento entre Theresa May e Jeremy Corbyn.

O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, comunicou hoje à primeira-ministra britânica Theresa May que as conversações para desbloquear o impasse do Brexit "chegaram até onde foi possível".

Corbyn alega que a instabilidade governativa inviabiliza "qualquer compromisso de acordo entre as duas partes".

Numa carta aberta à primeira-ministra, Theresa May, Corbyn alega que "a posição do Governo se tornou cada vez mais instável e sua autoridade enfraquecida" por o partido Conservador estar a preparar-se para escolher um novo líder, o que põe em causa a "capacidade do Governo de cumprir qualquer acordo de compromisso".


O Partido Conservador anunciou na quinta-feira que Theresa May aceitou encontrar-se com o presidente do grupo parlamentar, Graham Brady, no início de junho "para acordar um calendário para a eleição de um novo líder do Partido Conservador", independentemente do resultado da votação.

May admite sair de cena


As eleições internas deverão prolongar-se por várias semanas, dependendo do número de candidatos, e o vencedor torna-se não só líder do partido, mas também primeiro-ministro.


O processo só deverá começar após o Governo submeter aos deputados, na primeira semana de junho, num dia ainda incerto, a proposta de lei de implementação do Brexit no parlamento, para conseguir pôr em prática o processo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE).


A proposta de lei é o texto legislativo que implementa o Acordo de Saída que estabelece os termos de saída do Reino Unido da UE, inicialmente prevista para 29 de março, mas adiada devido ao chumbo por três vezes do documento.


O governo qualificou como "imperativo" tentar aprovar a lei antes que os trabalhos do parlamento britânico sejam suspensos para férias em julho, para garantir que o país sai da UE antes do prazo de 31 de outubro estabelecido pelo Conselho Europeu.


"Após seis semanas de negociações, é justo que o Governo deseje testar novamente a opinião do parlamento, e consideraremos cuidadosamente quaisquer propostas que o Governo deseje apresentar para romper o impasse do Brexit", afirmou Corbyn.


Porém, reiterou que "sem mudanças significativas", o principal partido vai votar contra um acordo que considera que põe em risco a indústria, postos de trabalho e a economia do país.

Boris Johnson candidata-se a primeiro-ministro britânico

FACUNDO ARRIZABALAGA

O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros britânico Boris Johnson, fervoroso defensor do Brexit, confirmou ontem que será candidato ao cargo de primeiro-ministro quando Theresa May abandonar as suas funções, referiram os media britânicos.

"Decerto que me candidato", declarou Johnson no decurso de um encontro de empresários em Manchester, norte de Inglaterra, confirmando as informações que circulavam entre os conservadores e comentadores políticos.

Com Lusa