Brexit

May apresenta proposta que obriga Parlamento a decidir sobre novo referendo

Chris Ratcliffe / POOL

A nova proposta de acordo será levada ao Parlamento no próximo dia 3 de junho.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, apresentou esta terça-feira uma nova proposta de 'Brexit' que levará ao Parlamento britânico e que obriga a que os deputados votem sobre um segundo referendo.

Numa comunicação feita horas depois de o seu governo ter apoiado esta nova proposta de 'Brexit', Theresa May disse hoje que continua "empenhada em garantir a saída do Reino Unido da União Europeia" e mostrou-se confiante de que a nova proposta terá a aprovação no Parlamento, onde será votada na primeira semana de junho.

May diz que a proposta incluirá o requisito de haver uma votação no Parlamento sobre se será feito um novo referendo sobre o 'Brexit', mas este novo referendo apenas poderá acontecer se os deputados aprovarem o acordo de saída.A existir, esse segundo referendo deverá acontecer ainda antes de o acordo de saída da União Europeia seja ratificado.

"Não acredito que este caminho (do segundo referendo) seja um caminho a seguir, mas percebo o genuíno e sincero desejo de alguns nesse sentido", admitiu Theresa May.

A primeira-ministra britânica apresentou algumas novas ideias para a nova proposta, garantindo a proteção de direitos dos trabalhadores, comprometendo-se a manter-se alinhada com a Irlanda do Norte sobre o 'backstop' e assegurando que não haverá alterações na proteção ambiental se houver uma saída do Reino Unido.

A nova proposta de acordo será levada ao Parlamento no próximo dia 03 de junho, para que os deputados que já por três vezes rejeitaram anteriores soluções se pronunciem.

Theresa May disse que a opção de não haver um acordo sobre o 'Brexit' não era sequer uma hipótese e referiu-se a esta proposta como "a última hipótese" para o 'Brexit'.

A primeira-ministra disse mesmo que a rejeição de um acordo de saída implicará a permanência do Reino Unido na União Europeia.

"Por isso, se os deputados votarem contra (...) esta proposta, estão a votar para parar o 'Brexit'", disse Theresa May.

O Reino Unido já devia ter deixado a União Europeia em 29 de março, mas os países da comunidade aceitaram estender o prazo até dia 31 de outubro, no meio de um impasse político muito prolongado.

Theresa May disse hoje que está a "fazer uma nova oferta para encontrar terreno comum no Parlamento", após negociações com o Partido Trabalhista, na oposição.

E voltou a admitir que abandonará os seus cargos como primeira-ministra e como líder do Partido Conservador, logo que este processo esteja concluído.

May admitiu que a parte mais difícil das negociações que realizou com os vários partidos com assento parlamentar foi a das alfândegas.

"No cerne do 'Brexit' está a tensão entre a força da nossa ambição em aproveitar as novas oportunidades que o 'Brexit' apresenta e a necessidade de proteger os empregos e a prosperidade que resultam do relacionamento com outras economias europeias", explicou.

A primeira-ministra lembrou que este acordo de saída não tem de ser "a última palavra" sobre as futuras negociações com a União Europeia.

"Nos próximos meses e nos próximos anos, o Parlamento poderá redefinir as regras de entendimento com a União Europeia", explicou May.

A primeira-ministra reconheceu as dificuldades na negociação do acordo de saída, atribuiu as culpas à incapacidade de os políticos se entenderem e prometeu que o 'Brexit' será atingido.

"Com um acordo de 'Brexit' correto, podemos sair deste impasse. (...) E nós vamos conseguir isso", prometeu Theresa May.

Lusa