Brexit

Ministra britânica demite-se e aumenta pressão sobre Theresa May

VICKIE FLORES

A primeira-ministra está sob intensa pressão dos seus próprios deputados para se demitir.

A ministra dos Assuntos Parlamentares britânica, Andrea Leadsom, anunciou esta quarta-feira a demissão do governo em desacordo com o plano da primeira-ministra, Theresa May, para tentar aplicar o Brexit.

"Não acreditamos que sejamos um Reino Unido verdadeiramente soberano através do acordo que é agora proposto", alegou, numa carta enviada à chefe de governo.

Leadsom, eurocética e pró-Brexit, foi a finalista vencida das eleições para a liderança do partido Conservador, em 2016, acabando por retirar-se a favor de Theresa May.

A primeira-ministra está sob intensa pressão dos seus próprios deputados para se demitir devido à dificuldade em apresentar um plano satisfatório para fazer o Reino Unido sair da União Europeia (UE).

Esta quarta-feira anunciou no Parlamento que pretende publicar na sexta-feira a nova proposta de lei para o 'Brexit', para que os deputados tenham tempo de a analisar antes de a votarem, no início de junho.

As novidades incluem garantias sobre a aplicação da cláusula de salvaguarda na Irlanda (conhecida como 'backstop), reforço de proteções na área laboral e garantias de que a legislação ambiental será preservada.

Contudo, a nova proposta já foi rejeitada pelo Partido Trabalhista, na oposição, com o líder, Jeremy Corbyn, a dizer que se trata de uma versão remodelada das mesmas ideias de anteriores soluções.

Também vários deputados Conservadores se mostraram desagradados com o facto de Theresa May ter incluído a possibilidade de um segundo referendo sobre o 'Brexit', considerando que essa estratégia os poderá levar a votar contra a nova proposta de acordo para a saída da União Europeia.

As três anteriores propostas de 'Brexit' negociadas pela primeira-ministra britânica com Bruxelas foram rejeitadas por maiorias parlamentares, conduzindo a um impasse que obrigou Londres a prolongar o prazo de saída da União Europeia até 31 e outubro.

Lusa