Brexit

Theresa May acusa partido Trabalhista de ter agravado risco de saída sem acordo

Jonathan Brady

Primeira-ministra britânica criticou o partido Trabalhista por ter agravado o risco de um 'Brexit' desordenado ao ter votado contra o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia.

"O Partido Trabalhista diz que defende a proteção de empregos e níveis de vida. Mas votou três vezes pela saida sem acordo, colocando postos de trabalho sob risco", respondeu a Jeremy Corbyn, na sessão semanal de perguntas dos deputados britânicos.


O líder da oposição citou o ministro das Finanças, Philip Hammond, que referiu na terça-feira que o impacto de um 'Brexit' sem acordo nas finanças públicas poderá ascender a cerca de 90 milhões de libras (100 milhões de euros), e os avisos de outras empresas e entidades sobre as consequências daquele cenário.


Em particular, citou o construtor de automóveis alemão PSA Group, que fez depender a continuação do modelo Opel Astra em Ellesmere Port, no norte de Inglaterra, dos termos finais da saída do Reino Unido da UE.


"Porque é que a primeira-ministra não fala com os dois candidatos à sucessão e recorda que, enquanto eles trocam insultos sobre uma saída sem acordo, põem em risco de desemprego milhares devido à sua retórica agressiva?", desafiou Corbyn.


Tanto Jeremy Hunt como Boris Johnson, os dois finalistas na eleição interna para líder do partido Conservador e, consequentemente, para o cargo de primeiro-ministro, declararam-se dispostos a avançar para uma saída sem acordo a 31 de outubro se não conseguirem renegociar com a UE a solução para a Irlanda do Norte.


O acordo de saída negociado pelo Governo britânico com Bruxelas foi chumbado três vezes pelos deputados britânicos, resultando num impasse que levou ao prolongamento do processo para além da data prevista de saída, a 29 de março.


Forçou também a demissão de Theresa May, que hoje rejeitou responsabilidades pelo risco de um 'Brexit' sem acordo que resulte em despedimentos.


"Eu e a grande maioria dos conservadores nesta Câmara votámos para proteger os postos de trabalho deles, mas o partido Trabalhista votou três vezes, [Notes:por isso] o partido Trabalhista votou três vezes para uma saída sem acordo", ripostou a primeira-ministra.


Theresa May renunciou à liderança do partido Conservador a 07 de junho devido às dificuldade em fazer aprovar o acordo de saída que concluiu com Bruxelas em novembro, mas continua como chefe de governo até a eleição do sucessor, que será anunciado a 23 de julho.

Lusa