Brexit

UE não aceitará "jogo de culpa" iniciado por Londres relativamente ao Brexit

Yves Herman

"Eu, pessoalmente, e o Michel estamos a trabalhar para alcançar um acordo. (...) Não somos nós que devemos ser responsabilizados", defendeu Jean-Claude Juncker no Parlamento Europeu (PE).

A União Europeia não vai aceitar "o jogo de culpa" iniciado pelo Governo britânico, reiterou hoje o presidente da Comissão Europeia, assumindo estar pessoalmente empenhado em alcançar um acordo com o Reino Unido para o 'Brexit'.

"Neste momento, continuamos em discussões com o Reino unido sobre os termos da sua saída e, pessoalmente, não excluo um acordo. Eu, pessoalmente, e o Michel estamos a trabalhar para alcançar um acordo. E não vamos aceitar este jogo de culpa que Londres iniciou. Não somos nós que devemos ser responsabilizados", defendeu Jean-Claude Juncker no Parlamento Europeu (PE).

Numa curta referência ao 'Brexit' na sua intervenção na sessão plenária da assembleia europeia, em Bruxelas, o presidente do executivo comunitário deixou um 'recado' aos "amigos britânicos", recordando-os que não é apenas o parlamento britânico que tem de concordar com os termos do Acordo de Saída.

"Há um parlamento aqui. Sem o PE nada será possível", notou.

Antes do discurso de Jean-Claude Juncker, já o presidente da assembleia europeia, David Sassoli, tinha resumido aos eurodeputados o conteúdo do seu encontro de terça-feira com Boris Johnson, repetindo o pessimismo relevado no dia anterior em declarações aos jornalistas em Londres.

"É fundamental que o primeiro-ministro conheça a nossa posição. E ela é muito simples: uma saída ordenada, com acordo, seria o cenário ideal. Transmiti ao primeiro-ministro que o PE não aceitará um acordo a tudo o custo, não aceitaremos nada que possa minar o Acordo de Sexta-feira Santa, o processo de paz e a integridade do nosso mercado único", relatou.

David Sassoli considerou que as propostas britânicas para substituir o mecanismo de salvaguarda para a fronteira irlandesa inscrito no Acordo de Saída não constituem, neste momento, "uma base para chegar a um acordo".

"São ideias mas não são soluções imediatamente realizáveis. Há duas alternativas neste momento: uma extensão ou nenhum acordo. O PE obviamente está aberto à extensão, com condições específicas. Mas requerer uma extensão é uma prorrogativa do Reino Unido. Não a requerer traria consequências particularmente negativas para ambas as partes, sobretudo para o Reino Unido", sublinhou.

Ao contrário de Juncker, o presidente da assembleia europeia entrou no "jogo de culpa", responsabilizando o Governo britânico por uma eventual ausência de acordo para a saída do Reino Unido do bloco comunitário, agendada para 31 de outubro.

A tensão entre Londres e os parceiros europeus escalou na terça-feira, com o primeiro-ministro britânico a ameaçar uma rutura nas negociações -- informação prontamente desmentida pela Comissão Europeia -, o presidente do Conselho Europeu a acusar Boris Johnson de querer ganhar "um estúpido jogo de culpa", e o presidente do Parlamento Europeu a lamentar que o líder do Governo britânico não esteja interessado em alcançar um acordo.

Lusa