Brexit

Deputados trabalhistas confiantes de que parlamento vai aprovar segundo referendo do Brexit

Simon Dawson

A ideia chegou a ser avançada em abril.

Os deputados trabalhistas Peter Kyle e Phil Wilson manifestaram-se esta sexta-feira confiantes no apoio do parlamento britânico a uma proposta para um segundo referendo ao 'Brexit' se o primeiro-ministro, Boris Johnson, conseguir negociar um acordo com a União Europeia.

"O que estamos a propor é que o Parlamento aceite o principio de voto confirmativo", disse Kyle hoje numa conferência de imprensa para jornalistas estrangeiros em Londres, mostrando-se convicto de que a formação de uma maioria interpartidária poderá acontecer "nas próximas semanas".

Os dois trabalhistas defendem que qualquer acordo para o 'Brexit' negociado por um Governo britânico com Bruxelas não deve se ratificado nem implementado sem ser submetido a uma consulta pública, com a opção de permanecer na União Europeia (UE), e cujo resultado seria vinculativo.

A intensificação das negociações nos próximos dias entre a UE e o Reino Unido para tentar chegar a um acordo sobre o 'Brexit' anunciada pela Comissão Europeia, no seguimento da reunião "construtiva" de hoje entre os principais negociadores, abre a oportunidade para a proposta ser apresentada.

A ideia chegou a ser avançada em abril, durante uma série de votos indicativos sobre diferentes opções para encontrar um consenso entre deputados sobre o processo de saída do Reino Unido da UE, mas derrotada por uma margem de 12 votos (292 contra e 280 a favor).

"Foi a margem mais pequena de todos os votos. É a proposta com maior potencial para romper o impasse", vincou hoje Kyle, deputado pelo círculo de Hove, que onde 69% dos eleitores votaram contra o 'Brexit' no referendo de 2016.

Para Phil Wilson, deputado em Sedgefield, onde 60% dos eleitores votaram a favor do 'Brexit', esta é uma questão de confirmarem que "querem sair nestes termos", pois o referendo de 2016 não era claro sobre o modelo de divórcio.

A intensificação de negociações entre Londres e Bruxelas foi decidida após um encontro na quinta-feira entre o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e o homólogo irlandês, Leo Varadkar, após a qual declararem ver um "caminho para um possível acordo".

Na semana passada, o Governo britânico propôs uma solução alternativa para evitar uma fronteira física na Irlanda do Norte, que implicava a saída da união aduaneira europeia, mas mantinha a região alinhada com o mercado único numa "zona regulatória comum".

O Governo britânico tem prevista uma sessão extraordinária no parlamento no sábado 19 de outubro para analisar o resultado do Conselho Europeu a realizar nos dois dias anteriores.

No caso de não existir um acordo, Kyle e Wilson admitem que seja ressuscitado o acordo negociado por Theresa May, a antecessora de Boris Johnson, apesar de ter sido chumbado pelos deputados três vezes, pois é o único em cima da mesa.

Porém, Kyle e Wilson poderão enfrentar resistência dentro do próprio partido Trabalhista, cuja posição oficial é de, primeiro, descartar uma saída sem acordo, em seguida realizar eleições legislativas para chegar ao poder e negociar um novo acordo, que só depois seria submetido a um voto confirmativo.

Peter Kyle prevê para as próximas dias semanas "um período rico e intenso" de discussões e manobras no parlamento britânico e que a refere proposta será apresentada como emenda à votação de um acordo ou de outro tipo de legislação.

"Temos uma variedade de opções, incluindo a opção nuclear de obter o controlo da agenda parlamentar e de legislar nós próprios", adiantou.

Lusa