Brexit

Brexit pode ajudar a romper domínio "laranja" e "verde" na Irlanda do Norte

Toby Melville

Eleições no Reino Unido são a 12 de dezembro.

O sectarismo político na Irlanda do Norte entre 'unionistas' e 'nacionalistas' continua a dominar a campanha para as eleições legislativas de 12 de dezembro, mas o 'Brexit' pode ajudar o amarelo Aliança a romper o tradicional domínio 'laranja' e 'verde'.

No círculo eleitoral de Belfast East, a líder do partido Aliança, Naomi Long, é favorita para recuperar o assento de Gavin Robinson, do Partido Democrata Unionista (DUP), e também disputado por Carl McClean, do Partido Unionista do Ulster (UUP).

Pró-europeia, Long foi eleita em maio para o Parlamento Europeu, mas quer recuperar o assento que ocupou na Câmara dos Comuns em Londres entre 2010 e 2015, quando pôs fim a uma hegemonia de 31 anos do antigo primeiro-ministro norte-irlandês e líder do DUP Peter Robinson.

"Eu acho que qualquer tipo de 'Brexit' será um desastre para a Irlanda do Norte. Eu acho que vai ser mau para a nossa economia e para a 'união'", disse à agência Lusa.

A União é o vínculo político que junta a Irlanda do Norte aos três países da ilha da Grã-Bretanha - Inglaterra, País de Gales e Escócia -, formando o Reino Unido.

Durante décadas, unionistas protestantes, identificados com a Ordem de Orange, e nacionalistas católicos, que defendem a reunificação com a vizinha República da Irlanda, fazendo da "Ilha Esmeralda" um só país, protagonizaram um conflito violento que matou mais de 3.500 pessoas.

Este confronto continua a dividir o país, tendo as eleições de 2017 resultado em 10 deputados do DUP e sete do Sinn Féin, a principal formação política nacionalista irlandesa.

Mas uma projeção da consultora política Electoral Calculus divulgada em novembro com base numa sondagem da empresa LucidTalk indica que o Aliança poderá ganhar três assentos em Westminster.

Formado nos anos 1970, o partido, que adotou a cor amarela, evoluiu de um movimento 'unionista' moderado para ser neutro na questão, assumindo-se como centrista e anti-sectário, mas a oposição ao 'Brexit' fez do partido uma das principais alternativas nas eleições legislativas.

É contra a saída da UE e favorável a um segundo referendo que consulte os eleitores sobre se querem o acordo negociado por Boris Johnson ou se preferem revogar o 'Brexit'.

"Qualquer acordo será melhor do que uma saída sem acordo, e para a Irlanda do Norte, um cenário de saída sem acordo seria absolutamente catastrófico para as empresas daqui", explicou.

Naomi Long recusou um pacto anti-Brexit com os partidos nacionalistas Sinn Féin e o Partido Social Democrata e Trabalhista (SDLP), e o Aliança é o único partido da Irlanda do Norte com candidatos em todos os 18 círculos eleitorais.

Tem esperança num bom resultado no círculo de North Down, na costa este, para beneficiar da saída da europeísta Sylvia Hermon, que se tornou independente depois de abandonar o UUP.

"É importante oferecer às pessoas a oportunidade de votarem em algo diferente. Este tipo de política de grupos é profundamente fraturante", argumentou.

Lusa