Brexit

Assinado primeiro grande acordo pós-Brexit entre Londres e Tóquio

Kim Kyung Hoon

Têxtil, novas tecnologias, queijo e peças automóveis são abrangidos pelo acordo comercial bilateral.

O Reino Unido e o Japão assinaram hoje, em Tóquio, um acordo comercial bilateral, o primeiro grande tratado do género pós-Brexit para Londres, enquanto decorrem negociações entre britânicos e europeus.

Têxtil, novas tecnologias, queijo e peças automóveis são abrangidos por este acordo, que reproduz em grande parte o tratado existente entre a UE e o Japão e que deixará de incluir o Reino Unido a partir de 01 de janeiro de 2012.

O texto foi apresentado inicialmente em 11 de setembro por Londres como forma de aumentar as trocas comerciais com o Japão, em 15,2 mil milhões de libras (16,8 mil milhões de euros).

Este acordo com Tóquio vai entrar em vigor a 01 de janeiro, para coincidir com o fim de período de transição da saída do Reino Unido da UE (Brexit), iniciada a 31 de janeiro deste ano.

Londres e Bruxelas retomaram na quinta-feira as negociações sobre as futuras relações comerciais, após uma semana de impasse. Em causa está evitar o caos económico entre as duas partes, mas importantes pontos de desacordo subsistem entre os dois lados.

O acordo britânico-japonês foi assinado numa breve cerimónia, na presença da ministra do Comércio Internacional britânica, Liz Truss, e do ministro dos Negócios Estrangeiros nipónico, Toshimitsu Motegi.

O parlamento japonês deverá ainda ratificar o acordo até final do ano para que possa entrar em vigor.

No ano passado, o comércio entre o Reino Unido e o Japão representou mais de 30 mil milhões de libras (33,2 mil milhões de euros), lembrou o Governo britânico.

O que é relativamente baixo quando comparado com as trocas comerciais entre Londres e a UE, de cerca de 700 mil milhões de libras (775,3 mil milhões de euros) em 2019.

Em comunicado, divulgado antes da assinatura, o Governo britânico sublinhou as vantagens do acordo com Tóquio relativamente ao existente no passado com a UE, sobretudo para "os cidadãos e empresários britânicos", com ganhos importantes "impossíveis com a pertença à UE".

O documento abre também caminho para "laços mais estreitos" entre o Reino Unido e 11 países do Pacífico no âmbito do acordo compreensivo e progressivo para a parceria comercial transpacífica (CP TPP), que integra Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Singapura e Vietname.