Cardeal Antonio Tagle

Uma estrela do Oriente para a Igreja católica? 

Luis Antonio Tagle

Luis Antonio Tagle é visto por setores próximos do Papa Francisco como a escolha certa para manter a dinâmica reformista com uma renovada abordagem do papado. A leitura geo-política é óbvia. É na Ásia que mais tem crescido o cristianismo. Depois de um Papa latino-americano, viria então um asiático. Mas há um velho ditado segundo o qual "quem entra Papa no Conclave, sai de lá cardeal".


Tem 61 anos, está entre os mais novos membros do Colégio de cerca de 120 cardeais eleitores. Não se assusta quando falamos na hipótese de o próximo pontífice ser asiático. "Não tenho tempo para gerir a minha vida, quanto mais a Igreja", diz.

Oriundo de uma família católica, deve o nome à forte devoção do pai por Santo António. Esteve em Portugal para presidir às celebrações do 13 de maio, em Fátima.

Antes de aterrar em Lisboa, o Santo António era de Pádua. Mas o presidente da Caritas Portuguesa levou-o à casa onde nasceu Fernando, o popular frade franciscano português que morreria em Pádua, e, para Luís Tagle, Santo António passou a ser... de Lisboa.


Ordenado padre em 1982, Tagle estudou nos Estados Unidos e em Roma. Foi ordenado arcebispo de Manila em 2011. Bento XVI fê-lo cardeal em 2012. Preside atualmente à Caritas Internacional, "braço" social da Igreja católica. Percorre o mundo em conferências e encontros no terreno de ação da Caritas. Lembra emocionado a dedicação de milhares de católicos à caridade e à solidariedade em países onde são perseguidos. Revela que há Caritas que têm o empenho e participação de crentes de outras religiões, como muçulmanos ou budistas.


Participou na Cimeira sobre abusos sexuais de menores, em fevereiro, no Vaticano. Chorou durante a sua intervenção. Esteve também no Sínodo sobre a juventude, em 2018. Tem uma relação de proximidade com o dinamismo juvenil católico. Esteve envolvido na Jornada Mundial da Juventude em Manila (1995), a maior de sempre em número de participantes. E sugere que os organizadores da Jornada de Lisboa (2022) "relaxem" para aproveitar o "espírito do encontro".


Nesta entrevista, Luis Antonio Tagle fala dos opositores do Papa, das migrações, da Europa, dos populismos crescentes, do drama dos abusos sexuais, do debate sobre a ordenação de diaconisas na Igreja, da necessidade de os cristãos terem intervenção social e política, da atração asiática por Fátima e do papel simbólico da maternidade na cultura oriental.


Tem um apurado sentido de humor e sorri em todas as respostas que dá. Já não deve esquecer a SIC. Quando lhe disseram para quem trabalhavamos, franziu o sobrolho. Ato imediato, explicamos que é "SIC but not sick (doente)" e deu uma gargalhada. No dia seguinte, quando voltamos a vê-lo, antecipou-se à conversa: "I know you, SIC but not sick". E voltou a soltar uma gargalhada.