Caso CGD

Sócrates diz que está provado que não indicou Vara para a administração da Caixa

Armando Vara na II Comissão Parlamentar de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos

TIAGO PETINGA

Ex-primeiro-ministro afirma que não teve intervenção no financiamento a Vale do Lobo.

O ex-primeiro-ministro José Sócrates disse, em resposta à comissão de inquérito à CGD, que ficou provado que não teve intervenção na ida de Armando Vara para administrador nem em qualquer decisão de crédito, nomeadamente sobre Vale do Lobo.

“Está igualmente provado que não indiquei Armando Vara para a Administração da Caixa e que nunca expressei, nem prometi vir a expressar, apoio algum a qualquer decisão de financiamento do banco, nem perante membros do governo nem perante membros da administração da Caixa ou ainda perante qualquer cliente do banco”, lê-se nas respostas de Sócrates enviadas esta quinta-feira aos deputados da comissão de inquérito, a que a Lusa teve acesso.

Sobre a indicação de Vara, o ex-governante disse que a sua não intervenção na ida para administrador da Caixa ficou provada desde logo pelo depoimento no parlamento do então ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, em que este negou qualquer pressão e disse que tanto Santos Ferreira como Vara foram escolhas suas.

Diz ainda Sócrates que, já no interrogatório judicial, Teixeira dos Santos teve mesmo “a honestidade de referir” que o tinha avisado da controvérsia política que a nomeação podia gerar.

“Por dever de reserva, que sempre observei em assuntos internos do governo que liderei, nunca revelei em minha defesa este facto, apesar da sua evidente relevância”, afirma.

O ex-governante diz também que nunca discutiu “fosse com quem fosse nenhuma operação de financiamento de Vale do Lobo”, assim como nunca discutiu ou deu orientações “a qualquer membro do conselho de administração relativamente a esta ou outra qualquer operação de crédito”.

Sócrates diz que essas decisões, durante os seus governos, foram apenas da administração do banco, pelo que “são dele também as respetivas responsabilidades por ser seu dever avaliar o risco das operações em que se envolvem e velar pela gestão sã e prudente da instituição”.

José Sócrates diz ser ainda “absolutamente falsa” a alegação de que recebeu dinheiro dos promotores do projeto de Vale do Lobo e que nem sabia quem eram os envolvidos, sejam os acionistas do empreendimento, o Presidente do Conselho de Administração da empresa, nem o investidor holandês que alegadamente fez uma transferência suspeita.

“Em suma, Vale do Lobo não me dizia nada – nem como tema pessoal, nem como tema político”, afirma.

O empreendimento de Vale do Lobo, no Algarve, tem sido um dos financiamentos mais falados na comissão de inquérito à CGD, pelas perdas de mais de 200 milhões de euros que significou para o banco público. O projeto está também envolvido na investigação Operação Marquês.

Vale do Lobo também obrigou a explicações do atual governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, depois de ter sido conhecido que lá passou férias em 2013 e 2014 quando o projeto já estava em incumprimento perante a CGD.

Carlos Costa disse então que, quando estava na CGD, não participou na reunião do Conselho Alargado de Crédito da CGD que aprovou o financiamento a Vale do Lobo e que entende que não existe “qualquer conflito de interesses” na decisão de ali passar férias, que pagou o valor do arrendamento sem qualquer desconto.

Lusa