Ciclone Idai

Tragédia em Moçambique: mais de 200 mortos confirmados

JOSH ESTEY / CARE / HANDOUT

A revelação foi feita pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi.

A passagem do ciclone Idai no centro de Moçambique e as cheias que se seguiram já provocaram, desde quinta-feira, mais de 200 mortos, anunciou hoje o Presidente moçambicano Filipe Nyusi.

O chefe de Estado falava durante uma reunião do Conselho de Ministros realizada na cidade da Beira, parcialmente destruída pelo ciclone.

Esta terça-feira de manhã, Filipe Nyusi tinha dado conta que mais de 100 mil pessoas da região correm perigo de vida, com aldeias inteiras desaparecidas e comunidades isoladas devido à subida das águas.

As próximas horas serão críticas, como já alertou o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, referindo que são esperadas cheias nas bacias dos rios Buzi e Pungoe.

Área alagada equivale ao distrito do Porto

A área atingida pelo ciclone Idai, em Moçambique, tem um raio de 100 quilómetros, a metade sul da província de Sofala.

Correntes e lama arrasam aldeias no centro de Moçambique

Sem estradas e pontes, helicópteros são o único meio de levar ajuda à população

As equipas de ajuda estão a enfrentar grandes dificuldades. O programa de alimentação mundial das Nações Unidas já começou a distribuir bolachas enriquecidas, papas, milho e feijão onde é possível pousar o helicóptero.

Estima-se que haja pelo menos 22 mil pessoas em áreas de difícil acesso.

A ONU já lançou um apelo internacional, garantindo que serão precisos cerca de 35 milhões de euros em ajuda, a maior parte para alimentos e medicação.

A Comissão Europeia anunciou o envio urgente de 3 milhões e meio de euros para a criação de abrigos de emergência, higiene, saneamento e cuidados de saúde.

Também a Índia enviou três navios com ajuda humanitária carregados de alimentos, roupa e medicamentos que devem chegar nos próximos dias ao porto da cidade da Beira.

Portugal vai mobilizar vários recursos para "o povo irmão"

O primeiro-ministro, António Costa, anunciou esta terça-feira, no debate quinzenal, que o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, partirá para Moçambique, de forma a articular os apoios necessários.

Não há registo de portugueses entre as vítimas mortais. Só na cidade da Beira residem cerca de 2500 portugueses, mas todos saíram ilesos, apesar de ficarem sem nada.

Várias associações portuguesas também já estão a mobilizar recursos. A Cáritas vai enviar 25 mil euros e a Cruz Vermelha Portuguesa emitiu um alerta para as reservas de alimentos de longa duração serem recolhidas no caso de ser organizado um voo humanitário para Moçambique.

Idai deixa rasto de morte e destruição

O ciclone, com fortes chuvas e ventos de até 170 quilómetros por hora atingiu a Beira, a quarta maior cidade de Moçambique, na quinta-feira à noite, deixando os cerca de 500 mil residentes sem energia e linhas de comunicação.

Os países vizinhos foram também afetados pela catástrofe. No Malawi, as estimativas do Governo apontam para que tenham sido afetadas mais de 920 mil pessoas nos 14 distritos afetados, incluindo 460 mil crianças, com registos de pelo menos 56 mortos e 577 feridos.

No Zimbabué, a avaliação das autoridades apontava para cerca de 1.600 casas e oito mil pessoas afetadas no distrito de Chimanimani, em Manicaland, com registos de 82 mortes e 217 pessoas desaparecidas.

Zimbabué

Zimbabué

Philimon Bulawayo