Ciclone Idai

Chuva continua e aumenta o risco de doenças em Moçambique

Praia Nova, Beira

Denis Onyodi / IFRC / HANDOUT

Centro de Moçambique continuará a ser afetado por chuva intensa e trovoadas até ao fim desta semana.

Depois da passagem do ciclone Idai, a chuva forte continua e crescem os receios da proliferação de doenças transmitidas pela água e bem como doenças respiratórias como a pneumonia.

Nas primeiras impressões à chegada a Moçambique, o coordenador da equipa de emergência dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Beira, Gert Verdonck, assinalou a falta de acesso a água potável e as dificuldades de acesso a hospitais e centros de saúde.

"As doenças transmitidas pela água são certamente uma preocupação. As pessoas estão a usar água de poços e é improvável que essa água seja segura para beber".

Numa informação divulgada para a imprensa pela organização, Gert Verdonck manifestou também preocupação com o risco de proliferação de doenças respiratórias.

"Continua a chover, mesmo dentro das casas, e a pneumonia vai ser um problema. Muitas pessoas juntaram-se em escolas e igrejas, onde as doenças respiratórias podem facilmente espalhar-se".

O sistema de abastecimento de água não está a funcionar e há vastas áreas onde as populações enfrentam grandes dificuldades para encontrar água potável, segundo Verdonck, que considerou difícil conseguir, para já, ter um retrato claro das necessidades de cuidados médicos.

"Nesta fase é difícil ter noção das necessidades médicas. Na verdade, é ainda mais difícil chegar aos centros de saúde porque as estradas estão destruídas ou os próprios centros estão destruídos. Este é o nosso grande desafio neste momento".

Pessoas isoladas sem comida nem água há quase uma semana em Moçambique

Chuva intensa e trovoadas até ao fim da semana

Segundo o Instituto Português do Mar e Atmosfera, chuva intensa e trovoadas vão continuar a afetar até fim desta semana o centro de Moçambique, com tendência para ir melhorando.

Mesmo com a diminuição da precipitação, na zona da Beira, na província de Sofala, os caudais dos rios estão ainda muito acima do normal, com níveis tão altos que a probabilidade de acontecerem costuma ser uma vez por século.

Cruz Vermelha Portuguesa tem tudo pronto para ir para Moçambique

O presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, Francisco George, explicou á SIC Notícias que uma equipa de médicos e enfermeiros e um hospital de campanha estão prontos a ser enviados.

ONU começa a distribuir ajuda a meio milhão de pessoas em Moçambique

O Programa Alimentar Mundial (PAM) está já a distribuir comida nas zonas mais atingidas pelo ciclone Idai em Moçambique.

Mais de 200 mortos em Moçambique

Em Moçambique, o Presidente da República, Filipe Nyusi, anunciou na terça-feira que mais de 200 pessoas morreram e 350 mil "estão em situação de risco", tendo decretado o estado de emergência nacional e três dias de luto nacional.

Não há informação de portugueses entre as vítimas

Mais de 100 mortos e centenas de desaparecidos no Zimbabué

Mais de cem pessoas perderam a vida e centenas estão desaparecidas no Zimbabué por causa do ciclone tropical Idai, segundo dados da Escritório dos Assuntos Humanitários da ONU (OCHA) naquele país.

"Foram reportados mais de 100 mortos, mais de 200 feridos e cerca de 200 desaparecidos", detalhou a OCHA numa nota divulgada hoje e na qual refere também que a eletricidade e comunicações permanecem interrompidas nas zonas afetadas pelo ciclone.

O exército do Zimbabué estima, no entanto, que o número de mortos pode ser o dobro do número avançado pela ONU.

O número de desaparecidos ascenderá a mais de 500, segundo as estimativas do general Joee Muzvidziwa, que lidera a missão de resgate do Exército, em declarações reproduzidas hoje pelos media locais.

Pelo menos 56 mortos no Maláui

No Maláui, o ciclone Idai provocou pelo menos 56 mortos e e 577 feridos.

As estimativas do Governo apontam para que tenham sido afetadas mais de 920 mil pessoas nos 14 distritos afetados, incluindo 460 mil crianças.