Ciclone Idai

Ciclone Idai causa 217 mortos em Moçambique, Governo atualiza balanço de vítimas

ANDRE CATUEIRA/ EPA

O país cumpre o segundo de três dias de luto nacional.

O Governo de Maputo avançou hoje um novo número de vítimas do ciclone Idai. O balanço oficial aponta agora para 217 mortos e 15 mil pessoas por resgatar.

O ministro da Terra e do Planeamento Territorial, Celso Correia, garantiu que as autoridades estão a correr contra o relógio e a recorrer ao maior número de meios possível, 24 horas por dia, adiantou em conferência de imprensa, esta manhã, na Beira.

O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, decretou o estado de emergência nacional, na terça-feira, e disse que 350 mil pessoas "estão em situação de risco".

A passagem do ciclone Idai em Moçambique, Maláui e Zimbabué provocou perto de 400 mortos, segundo balanços provisórios divulgados pelos respetivos Governos.

Na segunda-feira, o Presidente moçambicano tinha dado conta de 200 mortos e mais de 100 mil pessoas da região em perigo de vida, com aldeias inteiras desaparecidas e comunidades isoladas devido à subida das águas.

Trinta portugueses estão por localizar na cidade da Beira depois da destruição provocada pelo ciclone Idai, disse o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, em Maputo.

O primeiro secretário da Frelimo em Portugal, Elias Mutemba, acredita que a tragédia em Moçambique vai ter danos maiores que as cheias em 2002, onde morreram pelo menos 800 pessoas.

Ontem, na Edição da Noite da SIC Notícias, também esteve António Pedro Chichone, representante da Renamo em Portugal, que considera que o Governo falhou no combate à prevenção.

Presidente moçambicano focado na reconstrução e grato pelo apoio português

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou que o seu homólogo moçambicano está mais focado na reconstrução do país, referindo que Filipe Nyusi estava "muito grato" pelo apoio português.

"Senti que o Presidente Nyusi continuava a viver intensamente uma situação que é difícil, mas no que respeitava a Manica e Tete a perspetiva era diferente de Sofala. Está já com um pensamento virado para a reconstrução, sabendo que ainda havia muito a apurar e a esperar nos próximos dias", disse Marcelo Rebelo de Sousa, que conversou com o Presidente de Moçambique na noite de quarta-feira para se inteirar da situação após a passagem do ciclone Idai.

Apoios serão "à medida das necessidades" de Moçambique

O ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, afirmou na noite de quarta-feira que a situação de Moçambique "não passa despercebida" a Portugal, referindo que os apoios serão "à medida das necessidades" do povo moçambicano.

"Existe um conjunto de manifestações de solidariedade por parte da sociedade civil, de organizações não-governamentais e muitos ministérios. A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) terá a responsabilidade de fazer a triagem de material e pessoal que seguirá no segundo avião", disse o ministro.

João Gomes Cravinho esteve presente, assim como o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na partida da força de reação imediata portuguesa constituída por 25 elementos dos fuzileiros, dez do exército, três da força aérea e dois da GNR, a bordo de um avião C-130, para apoiar as operações em Moçambique.

Com fortes chuvas e ventos com mais de 170 quilómetros/ hora, o ciclone Idai devastou a província de Sofala, no centro de Moçambique, deixando a cidade da Beira transformada num imenso lago e provocando centenas de mortos e milhares de desalojados.

Zimbabué e Maláui foram também atingidos por aquela que é considerada pela ONU a "pior tempestade de sempre no Hemisfério Sul".