Ciclone Idai

Não há registo de vítimas portuguesas no Zimbabué

Philimon Bulawayo

Informação avançada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, disse hoje que não existe registo de cidadãos portugueses entre as vítimas do ciclone Idai no Zimbabué, onde vive também uma "importante" comunidade lusa.

Além de Moçambique, onde foram contabilizados 202 mortos, também o Zimbabué e o Maláui foram afetados pelo ciclone. Os registos oficiais referem pelo menos 100 mortos no Zimbabué, enquanto no Maláui as únicas estimativas conhecidas apontam para 56 vítimas mortais.

"No Zimbabué vive também uma importante comunidade portuguesa", afirmou Santos Silva, que falava hoje, em Lisboa, ao jornalistas, tendo acrescentado que, de acordo com as informações mais recentes da embaixada portuguesa em Harare, não há registo de vítimas de nacionalidade portuguesa.

O ministro destacou, por outro lado, que o facto de 30 portugueses estarem ainda por localizar na Beira não significa que estejam desaparecidos e deu como exemplo a própria equipa consular portuguesa naquela cidade moçambicana, que esteve incontactável nos três dias que se seguiram à passagem do ciclone, por dificuldades de comunicação.

"Nós próprios, devido às dificuldades de comunicações só conseguimos contactar o nosso cônsul na Beira três dias depois do início da tragédia. Por isso, o facto de haver neste momento na embaixada de Portugal em Moçambique trinta pedidos de localização de portugueses cujos familiares ainda não conseguiram contactar, não quer dizer outra coisa que não que ainda não possível estabelecer comunicação", frisou.

Segundo Santos Silva, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, está "no terreno" a "inteirar-se da situação" e a fazer um levantamento dos estragos, "que são substanciais" e extensivos ao próprio consulado português que ficou "extremamente danificado".

Quanto às casas de cidadãos portugueses "não há ainda um registo rigoroso", mas que poderão ser várias dezenas.

O tutelar da pasta dos Negócios Estrangeiros salientou que "toda a ajuda foi disponibilizada à medida das condições físicas que existiam para o fazer", nomeadamente desde que foi reaberta a via de comunicação aérea com a Beira.

"Temos reagido com uma dupla preocupação: atender aos interesses específicos da nossa comunidade residente naquela região, mas também às necessidades muito prementes dos nossos irmãos moçambicanos", destacou o ministro.

Santos Silva adiantou igualmente que os C-130 (aviões militares) que o governo português vai enviar para Moçambique "podem" regressar a Portugal "com as pessoas que for necessário repatriar ou deslocar entre pontos do território moçambicano", em coordenação com as autoridades moçambicanas.

No centro e norte de Moçambique existem mais de 6.000 portugueses inscritos nos serviços consulares, estimando-se que 2.500 residam na Beira, a zona mais afetada.

O Idai, com fortes chuvas e ventos de até 170 quilómetros por hora, atingiu a Beira (centro de Moçambique) na quinta-feira à noite, deixando os cerca de 500 mil residentes na quarta maior cidade do país sem energia e linhas de comunicação.

Lusa