Ciclone Idai

Número de mortos em Moçambique sobe para 242

ANDRE CATUEIRA

O ciclone deixou pelo menos 400 mil pessoas desalojadas na Beira.

O número de mortos confirmados na sequência da passagem do ciclone Idai em Moçambique subiu para 242, segundo os dados divulgados esta quinta-feira pelas Nações Unidas.

O ciclone deixou pelo menos 400 mil pessoas desalojadas na Beira e, segundo o Presidente Filipe Nyusi, cerca de 350 mil pessoas estão em situação de risco. Moçambique cumpre esta quinta-feira o segundo de três dias de luto nacional.

O apelo do embaixador moçambicano em Portugal

A partir de Lisboa, Joaquim Bule apelou à mobilização das pessoas "no sentido de darem aquilo que puderem" às vítimas da tragédia, com prioridade aos bens alimentares.

"Daqui, de Lisboa, estamos a mobilizar a vontade das pessoas no sentido de darem aquilo que puderem."

Perante aquilo a que a Cruz Vermelha Internacional considera ser "pior crise" do género no país, a ajuda humanitária começou a chegar em força por mar e pelo ar.

Em Maputo, por exemplo, gerou-se uma onda de solidariedade que já permitiu juntar até agora mais de 240 toneladas de bens. O relato é dos enviados da SIC a Moçambique, Ana Peneda Moreira e Rafael Homem, que mostraram o trabalho voluntário no porto da capital.

Também a Câmara Municipal de Lisboa lançou uma campanha de solidariedade, definindo 11 pontos de recolha de donativos em quartéis do concelho.

De acordo com o vereador da Proteção Civil, Carlos Manuel Castro, a capital portuguesa terá 11 quartéis do Regimento de Sapadores de Lisboa abertos 24 horas por dia, onde poderão ser entregues bens alimentares e outros produtos.

Medicamentos para tratamento de infeções gastrointestinais e analgésicos, alimentos enlatados com período de validade prolongado, produtos para o tratamento de água, de higiene pessoal e de limpeza de instalações foram produtos indicados pelo município como donativos necessários.

Segundo a Lusa, a ação solidária vai estar patente nos quartéis D. Carlos I, Martim Moniz, Graça, Defensores de Chaves, Santo Amaro, Monsanto, Alvalade, Benfica, Marvila, Encarnação e Alta de Lisboa.

"As crianças estão com fome, não temos comida, não temos nada"

Na cidade da Beira, um grupo de Moçambicanos tentou levar sacos de cereais oferecidos pelo dono de um armazém danificado pelo ciclone Idai, na cidade da Beira. A confusão obrigou à intervenção da polícia.

Mais de 1.200 quilómetros quadrados inundados em Moçambique

Divulgada pela Agência Espacial Europeia, a imagem mostra a extensão das inundações, marcadas a vermelho.

Divulgada pela Agência Espacial Europeia, a imagem mostra a extensão das inundações, marcadas a vermelho.

ESA / HANDOUT

A passagem do ciclone Idai por Moçambique inundou pelo menos 1.276 quilómetros quadrados nas províncias de Sofala, Manica e Zambézia, segundo os dados de satélite mais recentes recolhidos pelo programa europeu Copernicus.

De acordo comos dados partilhados pelos Serviços de Gestão de Emergência do Copernicus - Copernicus EMS -, citados pela Lusa, a província mais afetada foi Sofala, com 1.224,3 quilómetros quadrados, seguindo-se a província de Zambézia, com 49,7 quilómetros quadrados de área inundada e Manica, que contou com 1,97 quilómetros quadrados afetados na sua capital, Chimoio.

As principais localidades afetadas em Sofala foram Tica (35.312,7 hectares), Mafambisse (32.403,2 hectares), Nhantaze (24.837,7 hectares), Macorreia (9.862 hectares), Beira (9.509 hectares) e Lamego (641,3 hectares).

Segundo a agência de notícias, no total, só em Sofala, a área inundada corresponde ao equivalente a mais de 122 mil campos de futebol. Na Zambézia, o programa Copernicus detetou 4.695,4 hectares inundados em Quelimane, capital da província, e 274 hectares em Chinde. Na capital da província Manica, Chimoio, os satélites europeus verificaram 196,5 hectares de terrenos inundados.

Parlamento português vai cooperar com Assembleia da República de Moçambique

O Parlamento português aprovou esta quinta-feira um voto de pesar pelas vítimas da tragédia de Moçambique. Além do texto, subscrito por todos os partidos, a Assembleia da República cumpriu um minuto de silêncio.

A deputada e secretária da mesa do plenário, Sandra Pontedeira, declarou que o Parlamento vai cooperar com a Assembleia da República de Moçambique e com as assembleias das províncias daquele país, para que o regresso à normalidade se faça o mais depressa possível.

A ajuda militar portuguesa também já está a chegar a Moçambique. O primeiro de dois aviões militares partiu esta quinta-feira com 40 militares dos três ramos das Forças Armadas e elementos da GNR, que levam equipamento médico e para reabilitação de infraestruturas.

Médica do INEM diz que missões em Moçambique devem ser planeadas

Um dos principais cuidados a ter em situações de catástrofe é a questão do saneamento por causa do elevado risco de epidemias. A médica Fátima Rato, que esteve em missão no Haiti, diz que quem vai ajudar tem de saber que recursos vai encontrar e não pode sobrecarregar o país.

"Estamos a falar de uma dimensão maior" do número de vítimas em Moçambique

O primeiro secretário do partido Frelimo em Portugal, Elias Mutemba, acredita que a tragédia em Moçambique vai ter danos maiores que as cheias em 2002, onde morreram pelo menos 800 pessoas.

Esta quarta-feira, na Edição da Noite, da SIC Notícias, também esteve António Pedro Chichone, representante da Renamo em Portugal, que considera que o Governo falhou no combate à prevenção.

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