Ciclone Idai

15 mil pessoas continuam a precisar de ajuda em Moçambique

TIAGO PETINGA/ LUSA

294 mortos é o novo balanço de vítimas em Moçambique avançado pela ONU

O balanço mais recente de vítimas do ciclone Idai em Moçambique aponta para 294 mortos, de acordo com as Nações Unidas. A meteorologia deu tréguas às equipas de resgate durante o dia de ontem. Ainda assim, segundo números do Governo de Maputo, pelo menos 15 mil pessoas continuam em perigo. A Rádio Moçambique tinha avançado, esta manhã, com um balanço de 281 mortos.

O secretário-geral da Cruz Vermelha Internacional, Elhadj As Sy, admite a existência de mais de mil mortos na sequência do ciclone Idai em Moçambique, avança a Associated Press.

O Presidente de Moçambique tinha também avançado essa possibilidade no início da semana.

Primeiro C-130 com apoio português esperado hoje na Beira

O primeiro de dois aviões C-130 com apoio português às operações de socorro às vítimas da passagem do ciclone Idai em Moçambique é esperado hoje à tarde na cidade da Beira.

O avião transporta a força de reação imediata portuguesa, constituída por 25 fuzileiros, dez elementos do Exército, três da Força Aérea e dois da GNR (equipa cinotécnica).

O envio dos dois C-130 Hércules, da Força Aérea Portuguesa, foi anunciado ao início da noite de quarta-feira pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal (MNE), Augusto Santos Silva, tendo partido de Lisboa algumas horas depois.

Um segundo C-130 com apoio português partiu na noite de quinta-feira para a Beira, transportando uma equipa avançada de peritos da Autoridade Nacional de Proteção Civil, elementos da Força Especial de Bombeiros, da Guarda Nacional Republicana (GIPS e binómios de busca e socorro), do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e da EDP.

No primeiro avião, além dos 35 militares, integram a força, uma equipa cinotécnica (homem e cão) da GNR, numa operação coordenada pela Autoridade Nacional de Proteção Civil.

Os técnicos portugueses esperados hoje no centro de Moçambique vão apoiar as operações de busca e salvamento, com uma equipa de fuzileiros que já tinha estado numa missão anterior no país e que "conhece bem as responsabilidades", descreveu o ministro.

"Na cidade da Beira as coisas estão a normalizar, nos arredores é mais complicado"

Os enviados da SIC a Moçambique, Ana Peneda Moreira e Rafael Homem, fizeram esta manhã um ponto de situação na Beira, onde testemunham um regresso à normalidade, ao contrário do que acontece nos arredores.

De acordo com números divulgados na quinta-feira, em Genebra, pelo Programa Mundial Alimentar (PAM) das Nações Unidas, a passagem do ciclone Idai por Moçambique, Zimbabué e Maláui atingiu pelo menos 2,8 milhões de pessoas.

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, decretou o estado de emergência nacional na terça-feira e disse que 350 mil pessoas "estão em situação de risco".

Moçambique cumpre hoje o terceiro e último dia de luto nacional.

No Zimbábue foram anunciados dois dias de luto nacional, com início no sábado.

O Idai, com fortes chuvas e ventos de até 170 quilómetros por hora, atingiu a Beira (centro de Moçambique) na noite de 14 de março, deixando os cerca de 500 mil residentes na quarta maior cidade do país sem energia e linhas de comunicação.

Com Lusa