Ciclone Idai

Retrato de Moçambique: cólera, falta de condições de higiene e falta de alimentos

Themba Hadebe

Os primeiros casos de cólera após a passagem do ciclone Idai foram detetados esta sexta-feira.

Registados os primeiros casos de cólera na Beira

Após a passagem do ciclone Idai pela cidade moçambicana da Beira, a ausência de condições de higiene abriu espaço a surtos de doenças. Esta sexta-feira, foram registados os primeiros casos de cólera.

A falta de água, luz e comida preocupa a população.

Uma semana depois da passagem do ciclone, o preço dos bens de primeira necessidade disparou. Por exemplo, uma caixa de tomate custa agora cinco vezes mais.

Ajuda portuguesa em Moçambique

O primeiro avião C-130 com apoio português às operações de socorro às vítimas da passagem do ciclone Idai em Moçambique chegou esta sexta-feira ao início da tarde ao aeroporto da Beira.

O segundo C-130 descolou de Figo Maduro com seis toneladas de ajuda e uma equipa multidisciplinar coordenada pela Proteção Civil portuguesa.

Saiba como pode ajudar

As autoridades moçambicanas têm pedido ajuda internacional.

No topo das prioridades estão produtos alimentares conservados e com um prazo de validade alargado. Produtos de higiene e limpeza e ainda produtos para tratamento de água.

Também é possível contribuir com uma chamada de valor acrescentado para a campanha de angariação de fundos “Apoiar Moçambique”, que conta com o apoio da SIC Esperança. O valor apurado será canalizado para reconstruir equipamentos comunitários como creches, escolas e ATL.

O número solidário é o 760 10 30 10.

O Benfica também está a promover uma campanha de ajuda a Moçambique. Através da Fundação Benfica, o clube vai disponibilizar transporte gratuito em contentores fretados. Esta oferta de colaboração é extensível a todos os clubes desportivos que pretendem organizar recolhas e não tenham assegurado o transporte para Moçambique.

A recolha de alimentos é feita nas Casas do Benfica e na próxima semana também no Estádio da Luz. Consulte aqui as datas de entrega.

Jogo solidário

As equipas de futebol feminino do Sporting e do Benfica vão disputar um jogo de solidariedade a 30 de março, em Lisboa, cuja receita vai reverter a favor das vítimas.

A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) anunciou a realização do encontro no site oficial, dando conta de que o desafio vai ser disputado no Estádio do Restelo, às 16:00, com os bilhetes a terem um custo unitário de 2,5 euros, sendo que "toda a receita líquida reverte para a ajuda a Moçambique, que enfrenta uma catástrofe que a todos entristece".

Equipas de socorro com dificuldade em chegar às comunidades mais isoladas

O helicóptero ao serviço do Programa Alimentar Mundial faz várias viagens por dia para tentar ajudar o maior número possível de pessoas cercadas pela água.

No terreno estão agências das Nações Unidas e organizações humanitárias de vários países, empenhadas em levar água, comida e assistência médica às populações afetadas. O principal desafio é chegar às comunidades mais isoladas.

Portugueses em Moçambique queixam-se da falta de apoio

Na Beira, o secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, ouviu críticas e queixas de falta de apoio do consulado. Os portugueses a viver em Moçambique pedem uma força especial para evitar pilhagens que dizem que já começaram.

"As pilhagens, assaltos e violência generalizada já começaram", Joaquim Vaz, empresário na Beira.

Crianças não sabem onde estão os pais, se estão vivos ou mortos

Milhares de crianças têm sido resgatadas nos últimos dias. Muitas perderam os pais e outras não sabem sequer do seu paradeiro, se estão vivos ou mortos.

"Onde estão os teus pais?", perguntava um jornalista a uma criança resgatada. Respondeu apenas: "Nem sei..."

Os adultos, esses contam histórias da maior catástrofe a atingir Moçambique em 50 anos.

As imagens têm mostrado a realidade de um povo apanhado de surpresa pela força do ciclone.

Agora, quem sobreviveu terá, em muitos casos, de lidar com a cólera e a malária, doenças lentamente a ser detetadas em centros de acolhimento, na Beira.

Maior parte da população continua a dormir ao relento

O número de mortos subiu esta sexta-feira para 294.

Estima-se que 400 mil pessoas tenham ficado desalojadas. Desse número, apenas 89 mil estão refugiadas em centros de acolhimento. A maior parte da população continua a dormir ao relento.

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