Ciclone Idai

"Continuamos sem registo de portugueses entre as vítimas mortais"

Denis Onyodi/Red Cross Red Crescent Climate Centre HANDOUT

População afetada em Moçambique aumenta 50% para 794 mil e 447 mortos.

O ministro português dos Negócios Estrangeiros afirmou hoje que não há portugueses entre as vítimas mortais constantes no último balanço relativo ao ciclone Idai, acrescentando que o número de cidadãos nacionais por localizar “é inferior a dez”.

“A boa notícia é que continuamos sem nenhum registo de portugueses entre as vítimas, que infelizmente, como sabem, são na ordem das centenas, registadas e confirmadas oficialmente”, disse Augusto Santos Silva à imprensa na Base Aérea de Figo Maduro, em Lisboa, antes da chegada do avião que trazia sete portugueses que residiam em Moçambique e que pediram o seu repatriamento.

O ministro dos Negócios Estrangeiros referiu que até agora não foram registadas vítimas mortais portuguesas em Moçambique ou no Zimbabué, “onde também onde também há uma comunidade portuguesa significativa”.

Augusto Santos Silva referiu que o número de portugueses por localizar, que “tem vindo sistematicamente a diminuir”, é, atualmente, “inferior a dez”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e o presidente da Proteção Civil Mourato Nunes (à direita) conversam com um repatriado português vindo de Moçambique, na chegada à Base Aérea de Figo Maduro, em Lisboa.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e o presidente da Proteção Civil Mourato Nunes (à direita) conversam com um repatriado português vindo de Moçambique, na chegada à Base Aérea de Figo Maduro, em Lisboa.

ANTÓNIO PEDRO SANTOS/ LUSA

O chefe da diplomacia portuguesa sublinhou que as autoridades portuguesas irão continuar a trabalhar para localizar “todos aqueles cujos familiares, amigos e colegas identificaram como carecendo de ser contactados”.

Os sete portugueses que pediram auxílio ao Estado e que hoje aterraram em Portugal constituem “todos aqueles que quiseram ser repatriados”, mas o responsável das relações externas assegurou que o Governo vai continuar a trabalhar no apoio às populações.

“Nós vamos ter necessidade de apoiar as populações, agora para evitar epidemias, para proceder a apoio médico e sanitário, e depois, numa fase seguinte, tratar-se-á de ajudar, também, na reconstrução”, disse.

Os sete portugueses, que chegaram à Base Aérea de Figo Maduro pouco depois das 1:00, foram recebidos pelo ministro dos Negócios Estrangeiros e por equipas do Instituto Nacional de Emergência Médica de Portugal (INEM) e da Segurança Social.

De Portugal já chegaram a Moçambique dois aviões C130 e um avião comercial alugado. Ao todo chegaram seis toneladas de recursos, entre alimentos, redes mosquiteiras e material de higiene.

Na Beira, vindos de Portugal, já estão bombeiros, elementos da GNR, do Serviço Nacional de Proteção Civil, do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), das Forças Armadas e da EDP.

No início da próxima semana chegará à Beira o secretário de Estado da Proteção Civil.

População afetada em Moçambique cresce 50% para 794 mil com 447 mortos

A população afetada pelo ciclone Idai em Moçambique subiu para 794.000, anunciaram hoje as autoridades, que contabilizam 447 mortos.


Em relação a domingo, o resumo de informação distribuída pelo Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) acrescenta uma vítima mortal aos dados divulgados e aumenta em 50% o número de pessoas atingidas.


Esta população afetada não significa que esteja "em risco de vida".


"São pessoas que perderam as casas" ou que estão "em zonas isoladas e que precisam de assistência", explicou no domingo o ministro da Terra e Ambiente, Celso Correia.


Por seu lado, o número de salvamentos faz com que os centros de acolhimento continuem a encher e registem já 128.941 entradas (mais 18% que no domingo), das quais 6.500 dizem respeito a pessoas vulneráveis - por exemplo, idosos e grávidas que recebem assistência particular.

Resgate junto ao Rio Buzi em Moçambique

A mulher, com sinais evidentes de fraqueza, foi localizada durante uma operação de reconhecimento às áreas ainda isoladas por causa do ciclone Idai. O salvamento ocorreu junto ao rio Buzi , numa aldeia isolada, com recurso a um helicóptero da Marinha indiana ao serviço das Nações Unidas.

No terreno, a distribuição de alimentos começa agora a fazer-se de forma mais organizada. Como explica a enviada da SIC a Moçambique, Ana Moreira.

Com Lusa

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