Ciclone Idai

FMI estuda empréstimo de emergência a Moçambique

Siphiwe Sibeko

O FMI vai prestar a ajuda através do Instrumento de Crédito Rápido.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou esta terça-feira que está a estudar um financiamento de emergência a Moçambique entre 60 milhões e 120 milhões de dólares, para que o país enfrente os efeitos do ciclone Idai.

"Os valores [a empresar] seriam algo entre 60 milhões de dólares [53,1 milhões de euros] e 120 milhões de dólares [106 milhões de euros]", mas "dada a magnitude do que aconteceu, aqui, a minha expectativa é que seja o valor mais alto, de 120 milhões de dólares", disse, em conferência de imprensa em Maputo, o chefe de missão do FMI para Moçambique, Ricardo Velloso.

O FMI vai prestar a ajuda através do Instrumento de Crédito Rápido, um mecanismo instituído pela organização para atender a situações de emergência nos seus países membros.

"Este instrumento é exatamente [para acorrer] a uma situação de emergência, uma situação muito grave, que cria grandes problemas para o país", assinalou.

Ricardo Velloso adiantou que a missão do FMI de avaliação do impacto do ciclone vai estender a sua presença em Moçambique até sexta-feira, para fazer uma avaliação preliminar dos efeitos da calamidade.

"Embora ainda seja cedo para serem avaliados os efeitos macroeconómicos do ciclone Idai, os custos de reconstrução serão muito significativos, a comunidade internacional terá de continuar a desempenhar um papel vital na prestação de assistência a Moçambique", afirmou, na declaração que leu antes das perguntas dos jornalistas.

Já na fase de respostas às questões colocadas pela comunicação social, o chefe de missão do FMI para Moçambique destacou que o ciclone Idai vai afetar negativamente os indicadores macroeconómicos do país para este ano, principalmente a inflação.

"A calamidade, claramente, vai afetar negativamente o crescimento económico este ano, muito provavelmente, vai haver um impacto negativo sobre a inflação", declarou Ricardo Velloso.

Ricardo Velloso esclareceu que a ajuda de emergência devido ao ciclone Idai não significa a retomada do programa de assistência financeira a Moçambique, pois este mecanismo só será estudado com o novo Governo que vai sair das eleições gerais de 15 de outubro.

O FMI suspendeu a assistência financeira a Moçambique em 2015, na sequência da descoberta das dívidas ocultas.

"Continuamos achando que o melhor momento para esse tipo de conversa será a partir das eleições, para ver o tipo de políticas fiscais, monetárias e estruturas do novo Governo", sublinhou Ricardo Velloso.

O número de vítimas mortais do ciclone Idai e das cheias que se seguiram no centro de Moçambique subiu para 468, anunciaram hoje as autoridades moçambicanas.

A informação foi prestada pelo Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) e representa um acréscimo de 21 mortos em relação aos dados de segunda-feira.

Os centros de acolhimento continuem a receber pessoas afetadas pelo Idai e registam hoje um total de 127.000 entradas.

O número de pessoas afetadas pelo ciclone subiu para 797.000, sendo que este total de pessoas afetadas não significa que estejam em risco de vida.

São pessoas que perderam as casas ou que estão em zonas isoladas e que precisam de assistência, explicaram as autoridades.

O número de meios de socorro também continua a aumentar e ascende agora a 22 helicópteros, 37 barcos, 11 aviões e duas fragatas.

Lusa

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