Ciclone Idai

Guterres alerta que "não estamos a vencer a corrida" contra alterações climáticas

Tiksa Negeri

Secretário-geral da ONU diz que lhe é "pessoalmente doloroso verificar a dimensão da calamidade na bonita cidade da Beira".

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, disse esta terça-feira que os líderes políticos têm uma "enorme responsabilidade" de perceber que "não estamos a vencer a corrida" contra as alterações climáticas.

"Sejamos claros: nós não estamos a vencer esta corrida (...) e há uma enorme responsabilidade nos líderes políticos do mundo para perceber", disse António Guterres, hoje, na sede da ONU, em Nova Iorque, num encontro com a imprensa dedicado ao tema do ciclone Idai, que afetou Moçambique, Zimbabué e Malawi, referindo-se ao impacto das alterações climáticas na vida humana.

O secretário-geral teme que, ao ritmo presente, "as coisas vão ficar cada vez pior" e que os países têm de "aumentar substancialmente os compromissos feitos nas suas contribuições nacionais" na redução de emissão de gases com efeitos de estufa até 2020.

A passagem do ciclone Idai em Moçambique, no Zimbabué e no Malawi fez pelo menos 786 mortos e afetou 2,9 milhões de pessoas nos três países, segundo dados das agências das Nações Unidas.

Moçambique foi o país mais afetado, registando até ao momento 468 mortos e 1.522 feridos, segundo as autoridades moçambicanas, que dão ainda conta de mais de 127 mil pessoas a viverem atualmente em 154 centros de acolhimento, sobretudo na região da Beira, a mais afetada.

Dois objetivos são claros na agenda de António Guterres para combater as alterações climáticas a nível mundial: a "mitigação" e "adaptação".

"Temos de ser muito mais ambiciosos em termos de mitigação, isto significa redução das emissões - e não é o Zimbabué, Malawi ou Moçambique que estão a contribuir para essas emissões", disse o secretário-geral.

Por outro lado, é necessário "investir muito mais em adaptação, em apoiar estes países para construírem resiliência face às tempestades", ciclones e outros desastres naturais, refletiu.

O antigo primeiro-ministro português disse que lhe é "pessoalmente doloroso verificar a dimensão da calamidade na bonita cidade da Beira", onde, há alguns anos, diz ter sido "tão bem e tão calorosamente recebido" e demonstrou a "completa solidariedade" com os governos de Moçambique, Zimbabué, Maláui.

"É extremamente doloroso constatar as centenas de mortos que o ciclone Idai provocou; ver localidades inteiras alagadas, saber que casas, hospitais e escolas estão em ruínas, verificar que colheitas vitais para a alimentação das populações foram perdidas, temer as doenças e epidemias que normalmente surgem nestas ocasiões", acrescentou António Guterres.

Guterres fez alusão a um verso do hino nacional de Moçambique: "a pátria amada vai vencer" e disse aos moçambicanos:

"Contem com o apoio das Nações Unidas. Moçambique vai vencer este momento especialmente difícil".

Lusa