Ciclone Idai

Porto aprova 100 mil euros para hospital e prevê 10 mil euros para escola na Beira

Mike Hutchings

Autarquia pretende articular, "no futuro", um "apoio mais continuado",

A Câmara do Porto aprovou hoje por unanimidade disponibilizar "equipas pós-catástrofe" e 100 mil euros ao hospital da Beira, Moçambique, tendo o presidente da autarquia revelado que seguirão ainda 10 mil euros para a Escola Portuguesa daquela localidade.

"Já depois de formalizada esta proposta [Notes:relativa ao envio de equipas e dinheiro para reconstrução do hospital] , fomos contactados pelo secretário de Estado das Comunidades [Notes:português] para ver se a Câmara do Porto se podia associar ao Instituto Camões para garantir uma intervenção rápida na Escola Portuguesa da Beira. Dissemos que sim. Iremos apoiar com 10 mil euros", revelou o presidente da autarquia, Rui Moreira, na reunião pública do executivo.


O autarca referiu ainda uma "reunião com o cônsul geral Moçambique", com quem pretende articular, "no futuro", um "apoio mais continuado", ao estilo de "patrono", por parte do Porto com a cidade geminada da Beira, alvo de destruição devido à passagem do ciclone Idai.


"Penso que devíamos pensar, no futuro, em encontrar uma infraestrutura, eventualmente um centro de saúde ou escola, em que fossemos patrono. Falo num apoio mais continuado a cidade geminada, para garantir que não estamos só lá quando há um problema", explicou.


Álvaro Almeida, do PSD, observou que a cidade podia continuar a apoiar o hospital, que neste momento precisa de reconstrução imediata.


Moreira não descartou a hipótese, mas considerou que essa é uma questão "para outra ocasião".
"Neste momento o hospital precisa de recursos imediatos, porque não está a funcionar", frisou.
A Câmara do Porto revelou na quarta-feira à Lusa a intenção de enviar para a Beira, em Moçambique, "equipas pós-catástrofe" e 100 mil euros para a "reconstrução do hospital", de acordo com "necessidades" já identificadas por organizações não-governamentais.


O município adiantou que "está também a articular com a Associação Portugal Moçambique outro tipo de apoio", sem especificar.


A Câmara esclareceu que só "após o período de emergência, que ainda decorre, serão quantificadas as necessidades" relativamente às equipas a enviar para Moçambique.


"Só nessa altura, de pós-catástrofe, o município do Porto estará em condições de enviar uma equipa multidisciplinar para a cidade da Beira, que dependerá das necessidades que forem reportadas", observou.


A passagem do ciclone Idai em Moçambique, no Zimbabué e no Maláui fez pelo menos 761 mortos, segundo os balanços oficiais mais recentes.


Em Moçambique, o número de mortos já confirmados subiu para 446, no Zimbabué foram contabilizadas 259 vítimas mortais e no Maláui as autoridades registaram 56 mortos.


O ministro da Terra e do Ambiente moçambicano, Celso Correia, sublinhou que estes números ainda são provisórios, já que à medida que o nível da água vai descendo vão aparecendo mais corpos.


A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou que está a preparar-se para enfrentar prováveis surtos de cólera e outras doenças infecciosas, bem como de sarampo, em extensas zonas do sudeste de África afetadas pelo ciclone Idai, em particular em Moçambique.


O ciclone afetou pelo menos 2,8 milhões de pessoas nos três países africanos e a área submersa em Moçambique é de cerca de 1.300 quilómetros quadrados, segundo estimativas de organizações internacionais.


A cidade da Beira, no centro litoral de Moçambique, foi uma das mais afetadas pelo ciclone, na noite de 14 de março.

Lusa