Ciclone Idai

501 mortos em Moçambique

Siphiwe Sibeko/ Reuters

Número de casos de cólera sobe para 271 na cidade da Beira.

O número de mortos provocados pelo ciclone Idai e as cheias que se seguiram no centro de Moçambique subiu para 501, anunciaram hoje as autoridades moçambicanas.

O último balanço, apresentado pelo centro de operações de socorro na cidade da Beira, acrescenta mais oito vítimas mortais desde sexta-feira, numa altura em que foi dada como concluída (desde quinta-feira) a fase de salvamento e resgate.

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O número de feridos manteve-se em 1.523, mas o total de pessoas afetadas subiu para 843.723.

O grupo de pessoas afetadas inclui todas aquelas que perderam as casas, precisam de alimentos ou de algum tipo de assistência, explicaram as autoridades.

O total de desalojados em centros de acolhimento mantém-se em 140.784, assim como o número de famílias beneficiárias de assistência humanitária: 29.098.

Os outros dados publicados pelo Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) que hoje sofreram alterações foram o total de salas de aula afetadas, que subiu para 3.318, com 150.854 alunos prejudicados, e o número de casas totalmente destruídas que ascende 56.095 (com outras 28.129 parcialmente danificadas), sendo que a maioria são habitações de construção precária.

Centenas de milhares de pessoas necessitam de ajuda nos três países afetados: Moçambique, Zimbabué e Maláui.

Até hoje, estão contabilizados 746 mortos nos três países, segundo as autoridades locais e a ONU.

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Aos enviados da SIC, médicos da ajuda internacional admitem a existência de pelo menos mil pessoas infetadas.

Entre quinta e sexta-feira "foram detetados 132 casos, 90 no bairro da Munhava", detalhou Ussene Isse, Diretor Nacional de Assistência Médica de Moçambique.

Ussene Isse classifica como "um surto" que já tinha sido previsto pelas autoridades, depois do ciclone Idai e das cheias que se seguiram no centro do país.

O número de casos de cólera na cidade da Beira tem crescido de dia para dia: na quarta-feira foram reportados oficialmente os primeiros cinco casos e no dia seguinte a contagem subiu para 139.

Ussene Isse referiu que não há mortes confirmadas por cólera.

"Estamos em prontidão máxima do ponto de vista da vigilância", que está a ser instalada noutros pontos da região centro de Moçambique, acrescentou.

A doença é propagada através de água e alimentos contaminados e o risco aumentou devido às inundações e à destruição de infraestruturas provocada pelo ciclone.

A Organização das Nações Unidas (ONU) vai dar início, na quarta-feira, a um programa de vacinação oral contra a cólera naquela zona, prevendo a administração de 900 mil unidades.

Numa outra iniciativa, o Estado português iniciou na sexta-feira uma campanha dirigida à comunidade portuguesa com um lote de 600 unidades.