Ciclone Idai

Imprensa zimbabueana aponta desperdício de toneladas de comida doada ao país

(Arquivo)

KB Mpofu

Comida em questão era destinada às vítimas do ciclone Idai que assolou o país em março.

Toneladas de alimentos avaliados em milhares de euros estão a "apodrecer em armazéns" na província zimbabueana de Manicaland, refere hoje a imprensa local, que diz ser "pouco claro se esta foi entregue" aos destinatários, as vítimas do ciclone Idai.

"Entre os itens alimentares que expiraram nos armazéns enquanto aguardavam distribuição, estão 30 toneladas de farinha de milho, 1.850 quilogramas de papas de soja, 1.150 quilogramas de farinha simples, 3.000 embalagens de feijão e 1.000 quilogramas de 'Maheu Instant' [um preparado energético] ", afirmou uma fonte citada pelo diário estatal The Herald.

De acordo com a mesma fonte, a validade das 30 toneladas de farinha de milho expirou em 07 de setembro, enquanto a farinha simples ultrapassou expirou em 27 de março, e as embalagens de 'Maheu Instant' deixaram de estar em condições no dia 18 de agosto.

A publicação zimbabueana refere que visitou o armazém na terça-feira, mas que não lhe foi permitido o acesso, uma vez que estava trancado.

Os responsáveis pela coordenação do desenvolvimento do distrito de Chimanimani vão investigar os relatos que apontam para o desperdício de alimentos doados após a passagem do ciclone.

O ciclone Idai atingiu, em março, os distritos de Chipinge e Chimanimani, na província de Manicaland, tendo matado centenas de pessoas e destruído infraestruturas avaliadas em milhões de euros.

A passagem do ciclone, que afetou também Moçambique, Madagáscar e Maláui, destruiu também as reservas alimentares e plantações nos países, deixando comunidades em necessidade urgente de apoio.

Esta necessidade levou o Governo do Zimbabué, Emmerson Mnangagwa, a pedir ajuda local e internacional, que foi correspondida por uma onda de solidariedade.

Em março, o ciclone Idai atingiu o centro de Moçambique, causando 604 vítimas mortais e afetando cerca de 1,8 milhões de pessoas.

Lusa