Coronavírus

A corrida para descobrir a origem do novo coronavírus

Amir Cohen

Cientistas apontam os morcegos e pangolins como possíveis responsáveis pela transmissão a humanos.

Especial Coronavírus

A origem do novo coronavírus está a ser investigada por cientistas, que procuram descobrir o animal responsável pela contaminação dos humanos. Um dos cenários possíveis envolve morcegos e pangolins, mas a origem do 2019-nCoV continua, para já, desconhecida.

Neste cenário tudo começa com um morcego infetado pelo novo coronavírus que, através dos seus excrementos, por exemplo, passa a infeção a um pangolim, o mamífero mais traficado do mundo e cuja carne é considerada uma iguaria em países como a China e as suas escamas utilizadas na medicina.

Depois de capturado, o pangolim transmite o novo coronavírus aos humanos, tornando-se assim no “hospedeiro intermediário”. O primeiro contágio entre animal e humano terá acontecido num mercado em Wuhan, na China.

Desvendar esta sequência de eventos não é assim tão fácil, como explica o professor Andrew Cunningham, da Sociedade Zoológica de Londres, que a compara a uma “história de detetives”, cita a BBC.

Ainda assim, o morcego – conhecido por ser portador de um número considerável de diferentes coronavírus - é apontado pela maioria dos analistas como a fonte primária. Um animal que abriga um vírus sem adoecer, mas que pode infetar outras espécies, é designado de "reservatório". Neste caso, os genomas do novo coronavírus são 96% iguais aos que circulam no organismo do morcego.

Os mercados chineses

Pangolins e outras espécies de animais selvagens, tal como morcegos, são muitas vezes vendidos nos mercados chineses, proporcionando oportunidades de contágio entre espécies, incluindo aos humanos.

No mercado em Wuhan, fechado depois do surto, eram vendidos animais como crias de lobo, cigarras, escorpiões, ratos, esquilos, raposas, ouriços, tartarugas e crocodilos. De acordo com a BBC, não é claro se também lá eram comercializados pangolins.

Muitos dos vírus que conhecemos hoje em dia têm origem em animais. É o caso do Ébola, VIH, síndrome respiratória aguda grave (SARS), e este novo coronavírus. A China suspendeu, entretanto, a compra e venda de produtos com origem em animais selvagens, à semelhança do que aconteceu em 2002, depois do surto de SARS, em que os mercados foram temporariamente proibidos.

O novo coronavírus já chegou a todos os continentes, provocou milhares de infetados e mortos e a sua origem continua a ser investigada.

Veja também: