Coronavírus

"Um dos piores dias" nas bolsas e preço do petróleo afunda

JUSTIN LANE

Devido ao receio de uma depressão económica mundial ligada à propagação do novo coronavírus.

Especial Coronavírus

As bolsas europeias encerraram esta srgunda-feira com fortes quedas, a lembrar o cataclismo financeiro do fim de 2008, com o preço do petróleo a afundar, devido ao receio de uma depressão económica mundial ligada à propagação do novo coronavírus.

"Foi um dos piores dias que vivi em bolsa", disse à AFP Oliver Roth, analista do Oddo Seydler Bank, em Frankfurt, onde o índice Dax registou a queda mais pesada desde 2001 (7,94%).

À semelhança do que aconteceu na bolsa alemã, os mercados europeus tiveram hoje quedas aparatosas, em Paris, o CAC cedeu 8,39%, o índice londrino FTSE-100 perdeu 7,69%, em Madrid o IBEX 35 caiu 7,96% e a bolsa de Milão baixou 11,17%. Desde o início do ano, as grandes bolsas europeias acumulam perdas de cerca de 20%.

Os investidores que nas últimas semanas já tinham manifestado preocupação com a disseminação do coronavírus, manifestam agora um nervosismo associado ao preço do petróleo, que registou a sua pior queda desde a primeira guerra do Golfo em 1991, afundando mais de 30% na Ásia.

A descida das bolsas na Ásia propagou-se à Austrália e depois às praças do Golfo, antes de atingir os mercados europeus e de contaminar Wall Street.

Na bolsa Nova Iorque houve uma interrupção de 15 minutos nas operações, logo no início da sessão, devido a uma queda de 7% no índice alargado S&P 500, que representa as 500 maiores empresas de Wall Street. Cerca das 18:25 (hora de Lisboa), o índice Dow Jones perdia 7,66%.

Já bastante afetada pelos receios ligados ao novo coronavírus, a praça nova-iorquina seguia também pressionada pelo afundamento do preço do petróleo.

Em causa, uma decisão da Arábia Saudita de adotar uma política de 'terra queimada', ao baixar drasticamente o preço do seu petróleo, após o fracasso na sexta-feira das negociações com a Rússia destinadas a aprovar um corte suplementar na oferta para evitar a queda dos preços, numa altura de menor procura devido ao novo coronavírus.

Só os títulos de dívida soberana dos Estados Unidos e da Alemanha, considerados valores de refúgio, beneficiavam desta vaga de quedas bolsistas, com os juros a dez anos a descerem para mínimos históricos.