Coronavírus

Covid-19: prejuízos de milhões no futebol

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Impacto económico sem precedentes coloca clubes e SAD's em risco

Especial Coronavírus

O coronavírus entrou em campo com efeitos devastadores em toda a sociedade e o futebol não é exceção. Fecha-se a torneira das receitas e não será fácil para a maioria dos clubes encontrar soluções para sobreviverem ao colapso financeiro. Reunião desta terça-feira da UEFA com representantes das federações nacionais é fundamental para encontrar soluções no curto/médio prazo.

Era inevitável a paragem dos campeonatos face aos últimos acontecimentos. Deixou de fazer sentido falar-se das linhas de fora-de-jogo ou de pénaltis. O coronavírus passou a ser o tema transversal a todos os setores da sociedade.

Ainda não é possível quantificar, de forma rigorosa, os efeitos do cancelamento das competições mas já se avançam estimativas desastrosas do ponto vista financeiro para os clubes e sociedades anónimas desportivas.

Em Portugal

De um momento para o outro as receitas caíram a pique. Desde logo porque sem estádios para encher não entram verbas nas bilheteiras, nem o dinheiro associado ao merchandising. Para os clubes o mais preocupante está relacionado com as receitas televisivas das quais dependem a maioria das Sociedades Anónimas Desportivas (SAD) ou das Sociedades Desportivas Unipessoais por Quotas (SDUQ) inscritas nas competições profissionais em Portugal.

Em causa está a sobrevivência e os cenários não são animadores. Mas, afinal, quanto perde - ou não ganha - o futebol português com esta paragem? Os números atingem, no mínimo, os 150 milhões de euros, sensivelmente um terço do valor gerado numa época desportiva.

Apoio financeiro

A Liga portuguesa de futebol anunciou a criação de um Grupo de Acompanhamento dos Impactos Económicos que será responsável por apresentar medidas concretas de apoio aos emblemas que competem nos dois escalões profissionais. A reunião da UEFA, desta terça-feira, dia 17 de março, com todas as federações nacionais

pode dar alguns indicadores sobre o rumo a seguir no curto prazo - sobretudo para

as equipas que ainda estão nas provas europeias -, sem esquecer que é fundamental traçar um plano mais abrangente no panorama europeu para evitar a falência dos clubes.

Na Europa

Ninguém escapa aos efeitos nefastos associados à paragem dos campeonatos e não há fronteiras que protejam as diversas Ligas europeias. Na Alemanha, o diretor-executivo, Christian Seifert, admite que há milhares de postos de trabalho em risco e considera que as 56 mil pessoas que trabalham na indústria do futebol alemão têm motivos para estarem preocupadas.

Em Espanha um estudo conduzido pela rádio Cadena Cope aponta para quebras de receitas na ordem dos 600 milhões de euros pela paragem das Ligas profissionais. Em causa estão os empregos de 200 mil pessoas que trabalham direta ou indiretamente no futebol.

Em Inglaterra, o modelo de distribuição de receitas televisivas dos jogos é fundamental para a sustentabilidade dos clubes e é assente em vários critérios. As transmissões para o exterior do Reino Unido resultaram num encaixe histórico de 4,6 mil milhões de euros para o período de 2019-2022. Há muito dinheiro em jogo...mas não há dinheiro que se sobreponha a algo muito mais importante: a vida.

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