Coronavírus

Notas da quarentena #2

Alexey Pavlishak

O stress, a tensão, o cansaço e três meses a escrever, todos os dias, sobre o coronavírus, deixam marcas que acumulo em dores nas costas.

Especial Coronavírus

Há vários dias que carrego um projecto de macramé nas costas.

São tantos os nós, que acho que até a pele tem contraturas.

O stress, a tensão, o cansaço e três meses a escrever, todos os dias, sobre o coronavírus, deixam marcas que acumulo em dores nas costas.

Quando comecei a escrever sobre a pneumonia viral, que era uma coisa que estava a acontecer lá na China, numa cidade com um nome estranho, não imaginava que estaríamos, agora, nesta situação.

Mas, quando o contágio passou as fronteiras para a Coreia do Sul, senti que, apesar da distância, não estávamos a salvo.

Disseram que estava a exagerar, e que estava sugestionada, quando disse que a Europa não ia escapar.

Que, o fazer peças todos os dias sobre o coronavirus me fazia 'ver' um cenário que não ia acontecer.

E o tempo foi passando, e a infeção cada vez mais perto de nós.

Mas continuaram a dizer-me que estava a exagerar, quando cancelei a viagem que tinha marcada para o meu aniversário, agora no final da semana.

Cancelei há 15 dias, e ainda bem.

Também me disseram que era um exagero ter comprado mais máscaras e álcool, há duas semanas.

Garanto-vos que não sou exagerada, nem hipocondríaca, nem histérica.

Mas, mais uma vez, estar informada sobre o que acontece para além deste nosso abençoado rectângulo, provou ser uma enorme vantagem.

Tenho a sorte, e o privilégio, de ser jornalista e ter acesso a agências internacionais.

Tenho a sorte de saber ler notícias noutras línguas e viver num país e numa situação, que me permitem entender o que se passa no resto do mundo.

Mas, e permitam-me a dureza, tenho também o bom senso de acreditar nos muitos, bons e sérios, órgãos de comunicação que existem e que são fontes credíveis de informação.

E o privilégio de trabalhar para um.

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