Coronavírus

Motoristas de matérias perigosas lamentam "políticas irresponsáveis" com conivência dos patrões

Dizem-se "abandonados à própria sorte" perante a pandemia de Covid-19.

Especial Coronavírus

O sindicato dos motoristas de matérias perigosas lamentou hoje que os colaboradores do setor estejam "entregues à própria sorte", perante a covid-19, com políticas "irresponsáveis e salazaristas" do Governo, com a conivência dos patrões.

"Depois da Direção-Geral da Saúde [DGS] ter anunciado que, quem entrasse em Portugal, a partir desta última segunda-feira, seria obrigado a ficar em isolamento profilático durante duas semanas, a Antram [Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias] ter considerado a medida demasiado violenta e com um impacto muito grande nas empresas, chegou hoje a um entendimento com o Governo para que os motoristas tenham via verde na passagem de fronteira [...] , em suma, abandonados à própria sorte", lamentou, em comunicado, o Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP).

A estrutura sindical regista com "profundo desagrado esta decisão", que coloca "em risco" os motoristas, as suas famílias e todos os portugueses, lembrando que já tinha alertado que estes profissionais continuam a trabalhar sem equipamentos de proteção individual.

"Confirmamos, mais uma vez, que os motoristas, que são tão importantes para a nossa sociedade, continuam a ser maltratados e marginalizados pelo Governo, e pela Antram, a quem só interessa fatores económicos", notou o sindicato liderado por Francisco São Bento.

Assim, o SNMMP disse que, "tendo em conta as políticas irresponsáveis e salazaristas deste Governo, em conivência com as empresas", se algum motorista for infetado pela covid-19, não hesitará, "até à última instância", em pedir responsabilidades a estes.

O Dinheiro Vivo noticiou hoje que a Antram chegou a um entendimento com o Governo para que os motoristas de mercadorias não sejam obrigados a ficar em quarentena após passarem a fronteira e entrar em Portugal, uma medida da DGS, considerada pelos patrões "demasiado violenta".

Mais 17 mortes e 549 casos de Covid-19 em Portugal

A Direção-Geral da Saúde (DGS) anunciou esta quinta-feira a existência de 60 mortes e 3.544 casos de Covid-19 em Portugal.

O número de óbitos subiu de 43 para 60 em relação ao último balanço da DGS, enquanto o número de infetados aumentou de 2.995 para 3.544, mais 549 relação a ontem, uma subida que representa um aumento de 18,3%.

Há, ao todo, 43 casos recuperados a registar, mais 21 que ontem.

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