Coronavírus

Covid-19: Portugal vai fazer estudos para conhecer população assintomática

Stephane Mahe

"Quem desenvolveu anticorpos é porque teve contacto com a doença e entra para o conjunto dos imunizados"

Especial Coronavírus

Portugal vai fazer estudos, à semelhança de outros países, para conhecer a percentagem da população que desenvolveu anticorpos à covid-19, disse esta quarta-feira a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas.

"Quem desenvolveu anticorpos é porque teve contacto com a doença e entra para o conjunto dos imunizados", afirmou Graça Freitas, durante a conferência de imprensa diária no Ministério da Saúde, no âmbito da pandemia provocada pelo novo coronavírus.

A responsável pela Direção-Geral da Saúde (DGS) respondia a uma questão sobre o número real de população infetada pelo novo coronavírus.

Relativamente a casos que poderão não estar contabilizados, Graça Freitas justificou que existe sempre um atraso no número de infeções que estão notificadas.

"As pessoas adoecem num determinado dia, com sintomas ligeiros, e só entram no radar do sistema de saúde quando procuram apoio de profissionais de saúde, seja através da linha telefónica, seja presencial", explicou.

Outros países que enfrentaram pandemias mais cedo fizeram estimativas de quantas pessoas nunca entraram no radar do sistema de saúde porque não estavam sintomáticas, referiu.

Porém, de acordo com Graça Freitas, ainda há dados "muito insuficientes e muito diferentes de país para país", que não permitem uma extrapolação para a realidade portuguesa. "Faz parte das incertezas", disse.

"Daqui a algum tempo saberemos, de facto, as pessoas que foram assintomáticas, porque Portugal, como os outros países, vai fazer estudos sorológicos para perceber que quantidade da sua população, que percentagem da sua população, desenvolveu anticorpos", avançou a diretora-geral.

Os números do coronavírus

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou perto de 866.000 pessoas em todo o mundo, das quais mais de 43.000.

Dos casos de infeção, pelo menos 172.500 são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu, com mais de 468.000 infetados e mais de 31.000 mortos, é aquele onde se regista o maior número de casos. Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais, com 12.428 óbitos, em 105.792 mil casos confirmados até terça-feira.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 187 mortes, mais 27 do que na véspera (+16,9%), e 8.251 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 808 em relação a terça-feira (+10,9%).

Dos infetados, 726 estão internados, 230 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 43 doentes que já recuperaram.

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de 02 de abril.

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