Coronavírus

"Lojas Com História vão definitivamente passar à história"

Rafael Marchante

Diz presidente da Associação de Valorização do Chiado.

Especial Coronavírus

Os comerciantes da Baixa de Lisboa consideram que muitas lojas do centro histórico da capital vão fechar, na sequência da pandemia da Covid-19, por não terem acesso às linhas de crédito, devido a dívidas.

"É uma matéria que não tem sido debatida e que é grave, porque muitas empresas não têm acesso ao 'lay-off'. Não são contempladas, porque basta ter algum atraso na Segurança Social ou no fisco", afirmou esta quarta-feira o presidente da Associação de Valorização do Chiado (AVChiado), Victor Silva.

Em declarações à agência Lusa, o dirigente referiu que os comerciantes estão preocupados com os impactos da pandemia da Covid-19 no comércio, acrescentando que as "Lojas Com História" serão as primeiras a entrar em rutura.

"As empresas que não têm acesso ao crédito é que vão cair. Quem são essas empresas? São as 'Lojas Com História' que já estavam a fechar. As 'Lojas Com História' vão definitivamente passar à história", realçou.

Para Vitor Silva, a situação é muito grave e toda a cadeia produtiva está em risco.

"Estas empresas não vão conseguir pagar salários, não vão conseguir pagar rendas, não vão conseguir pagar seguros e não vão conseguir pagar a mercadoria aos fornecedores", alertou, sublinhando que afetará, principalmente, as micro, as pequenas e as médias empresas.

O presidente da AVChiado defendeu ainda que as empresas não deviam despedir os trabalhadores, de modo a serem contempladas com os apoios financeiros.

Por seu turno, o vice-presidente da Associação de Dinamização da Baixa Pombalina (ADBP), Vasco Melo, considerou haver "um grande ponto de interrogação" em relação ao comércio na Baixa, referindo também que muitas lojas vão ter de fechar as portas.

"Pensamos que muito comércio vai encerrar. Principalmente, muito comércio independente", salientou, afirmando que há "uma grande expectativa por parte dos comerciantes".

De acordo com Vasco Melo, a maior preocupação dos comerciantes é como serão pagos os salários no final de abril.

"Aquela que tem sido a maior preocupação é como irão pagar, ao final deste mês, os seus compromissos e honrar os seus compromissos, nomeadamente os salários", sublinhou.

O vice-presidente da ADBP alertou ainda para a preocupação dos gerentes e dos administradores das pequenas e médias empresas (PME), que terão de pagar "30% do lay-off", sendo "obrigados a pagar" as despesas do próprio bolso.

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  • Não estou de acordo

    Opinião

    Não estou de acordo com métodos medievais para enfrentar uma pandemia. Se os vírus evoluíram, a organização da sociedade também deveria ter evoluído o suficiente para os combater de outra forma. O recolher obrigatório é próprio dos tempos obscuros e das sociedades não democráticas. Proibir as pessoas de circular na rua asfixia a economia e não elimina a pandemia.

    José Gomes Ferreira