Coronavírus

Comunidade do mergulho tem disponíveis cinco mil garrafas de oxigénio para o SNS

Jorge Silva

São garrafas de alta pressão, usadas para armazenar oxigénio.

Especial Coronavírus

A comunidade portuguesa de mergulho tem disponíveis pelo menos cinco mil garrafas de alta pressão, usadas para armazenar oxigénio, para ajudar o Serviço Nacional de Saúde (SNS), revelou hoje a Federação Portuguesa de Atividades Subaquáticas (FPAS).

Segundo o vice-presidente da FPAS, Manuel Pavese, aquele organismo acionou os "cerca de 100 associados", clubes e outras associações, bem como "85 empresas de atividades marítimo-turísticas com prática de mergulho com garrafas" e outras "20 empresas de mergulho profissional", com o apoio da Associação de Empresas de Mergulho Profissional, e também cerca de meia centena de outras entidades que possuem estes equipamentos, para os disponibilizar aos hospitais.

Estes clubes e outras entidades, espalhados "pelo país todo, sobretudo no litoral", querem apoiar o esforço de 'combate' à pandemia de covid-19, com Pavese a lembrar à Lusa "o estatuto de utilidade pública desportiva" da FPAS.

"O mais interessante de tudo é que das dezenas, provavelmente centenas, de telefonemas que fizemos, são telefonemas que ao primeiro minuto já estão resolvidos, porque de imediato as pessoas, representantes das entidades, disponibilizam tudo, perguntam logo quando se vai buscar", contou.

Assim, estão disponíveis "na indústria cerca de 3.500 garrafas" inventariadas pela federação, a que se soma uma "quantificação por amostragem de cerca de 1.500 garrafas nos clubes associados", um número que pode ser ampliado com base em "notícias de que outras entidades", como algumas corporações de bombeiros, têm garrafas por usar.

O material já inventariado tem uma "capacidade média de 12 litros", porque há embalagens de várias capacidades, e a estimativa de 5.000 é feita "muito por baixo", pelo que existirá mais material disponível.

As garrafas, que são utilizadas na prática de mergulho recreativo e técnico, em modalidades como o 'snorkeling', podem armazenar misturas de ar enriquecido ou mesmo 100% oxigénio, o que pode auxiliar doentes infetados com a covid-19.

O contacto foi já feito com a Direção-Geral da Saúde (DGS), através do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) e secretaria de Estado da Juventude e do Desporto, com a DGS "a analisar".

A autoridade de saúde pediu ainda à FPAS que fizesse "o registo da ideia numa plataforma" para o efeito, aguardando agora a resposta, explicou o vice-presidente.

Este material seria utilizado nos hospitais para transportar oxigénio e fazê-lo chegar a quem precisa, apresentando-se como muito mais práticos e acessíveis para transporte, com Manuel Pavese a aproximar a situação de uma questão de "vasilhame", em que será necessário mais material, em particular "nos hospitais de campanha".

A transformação das máscaras torna-as, efetivamente, "terminais de ventilação respiratória não invasiva".

Em Itália, Espanha e em França, Pavese garante já estarem também a ser utilizadas máscaras de mergulho transformadas, que permitam a oxigenação de doentes, por um lado, e a prevenção do contágio, por outro, além de serem mais baratas do que os produtos já existentes e certificados no mercado.

O dirigente federativo destaca o "contacto privilegiado" com pelo menos duas empresas italianas que fabricam as versões adaptadas e que terão milhares de produtos em 'stock', disponíveis "para lá da ajuda aos hospitais de Itália".

Entre os vários contactos que já receberam contam-se "algumas autarquias", sobretudo lembrando "a situação dos lares", em particular no que toca às máscaras, mas a FPAS pretende agir sempre "através das entidades competentes".

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ESPECIAL CORONAVÍRUS

Mais 37 mortes e 852 infetados em Portugal

A Direção-Geral da Saúde (DGS) anunciou esta sexta-feira a existência de 246 mortes e 9.886 casos de Covid-19 em Portugal.

O número de óbitos subiu, de ontem para hoje, de 209 para 246 - uma subida de 17,7% em relação a ontem -, enquanto o número de infetados aumentou de 9.034 para 9.886, mais 852, o que representa um aumento de 9,4%.

No que toca a doentes internados, o número subiu de 1.042 para 1.058. 245 estão em Unidades de Cuidados Intensivos, mais cinco em relação ao último balanço

O número de casos recuperados mantém-se nos 68.

O país encontra-se em estado de emergência desde 19 de março, tendo sido aprovado, na quinta-feira, o seu prolongamento até 17 de abril.

Mais de 1 milhão de infetados, 53.693 mil mortos no mundo

A pandemia de covid-19 matou quase 54 mil pessoas em todo o mundo desde que a doença surgiu em dezembro na China, segundo um balanço da AFP às 11:00, a partir de dados oficiais.

De acordo com a agência de notícias francesa, morreram 53.693 pessoas, foram diagnosticados mais de 1.035.380 casos de infeção pelo novo coronavírus, que provoca a doença covid-19.

Foram consideradas curadas pelo menos 201.500 pessoas.

Itália, que registou a primeira morte ligada ao coronavírus no final de fevereiro, é o país mais afetado em número de vítimas mortais: 14.681 mortos e 119.827 infetados.

Depois de Itália, os países mais afetados são Espanha, com 10.935 mortes, em 117.710 casos, os Estados Unidos com 6.058 mortes (245.573 casos), França com 5.387 mortes (73.743 casos) e a China continental com 3.322 mortes (81.620 casos).

A China (sem os territórios de Hong Kong e Macau), onde a epidemia começou no final de dezembro, contabilizou 81.620 casos (31 novos entre quinta e hoje), incluindo 3.322 mortes (quatro novas) e 76.571 curados.

Também os Estados Unidos estão a ser bastante afetados pela pandemia tendo sido registadas oficialmente 245.573 infeções, incluindo 6.058 mortes e 9.228 curados

Desde as 19:00 de quinta-feira, a Líbia, Quirguistão, Ilhas Marianas do Norte e Letónia anunciaram as primeiras mortes ligadas ao vírus.

A Europa contabiliza metade das infeções no mundo. Totalizou até às 11:00 de hoje 38.974 mortes para 559.459 casos, os Estados Unidos e o Canadá 6.192 mortes (256.641 casos), Ásia 4.071 mortes (114.053 casos), Médio Oriente 3.446 mortes (67.045 casos), América Latina e Caraíbas 691 mortes (24.959 casos), África 287 mortes (7.002 casos) e Oceânia 32 mortes (6.227 casos).