Coronavírus

Google revela os nossos (novos) hábitos durante a pandemia

MARIO CRUZ / LUSA

Relatório sobre mobilidade em 131 países, incluindo Portugal.

Especial Coronavírus

A Google elaborou um relatório sobre mobilidade comunitária em 131 países, entre os quais Portugal. Os dados recolhidos através da aplicação Google Maps comparam os valores antes e durante a pandemia.

A empresa promete que utiliza dados agregados e anónimos para mapear tendências de movimento e que a privacidade de cada utilizador está assegurada.

Segundo a Google, no âmbito do combate à pandemia do novo coronavírus,.a empresa irá divulgar regularmente atualizações, com os dados referentes à atividade dos dois ou trÊs dias anteriores.

Mobilidade dos portugueses em lojas e áreas de recreação cai 83%

Segundo o primeiro relatório da Google que incide em todos os distritos de Portugal, o movimento dos portugueses em áreas de retalho e recreação caiu 83%, face ao período pré-pandemia, e nas estações de transporte o recuo foi de 78%.

Os dados, que reportam a 29 de março, comparam com o valor mediano para o dia correspondente da semana durante o período entre 03 de janeiro e 06 de fevereiro, antes de ter sido declarada a pandemia de covid-19.

As tendências de mobilidade para lugares como restaurantes, cafés, centros comerciais, parques temáticos museus, livrarias e cinemas (retalho e recreação) registaram uma queda de 83% em Portugal, com os movimentos junto das mercearias e farmácia a descerem 59%.

Já o movimento nas estações de transporte (autocarros, comboios, metro) desceu 78% e a mobilidade nos parques nacionais, praias, marinas e jardins públicos diminuiu 80%.

A mobilidade registada junto aos locais de trabalho desceu 53% e os relativos às zonas residenciais subiram 22%, segundo o relatório.

"A Google preparou este relatório para ajudar a si e às autoridades de saúde públicas a entender as respostas às indicações de distancialmento social relacionadas com a covid-19. Este relatório não deve ser usado para diagnóstico médico, fins de prognóstico ou de tratamento", refere a tecnológica, salientando que também não se destina a ser usado para planear viagens pessoais.

As imagens de Lisboa antes e durante o estado de emergência

Em termos regionais, o distrito de Aveiro, que inclui o concelho Ovar, onde o Governo declarou no dia 17 de março o estado de calamidade pública, os movimentos junto das áreas de retalho e recreação diminuíram 83% e nas zonas de mercearia e farmácias baixaram 61%, segundo o relatório da Google.

O movimento nos parques nacionais, praias, marinas, jardins públicos (parques) caiu 84% e nas estações de transporte recuou 83%.

A mobilidade no distrito de Aveiro nas zonas residenciais subiu 24% e diminuiu 53% nos locais de trabalho.

No caso dos Açores, o relatório aponta que na categoria retalho e recreação o movimento de pessoas reduziu-se em 83%, na de mercearia e farmácia recuou 56% e nas estações de transporte 87%. O movimento junto às zonas residenciais subiu 18%.

Controlo policial durante o cordão sanitário na ilha de São Miguel, Açores

Controlo policial durante o cordão sanitário na ilha de São Miguel, Açores

EDUARDO COSTA / LUSA

Na Madeira, o movimento em áreas de retalho e recreação diminuiu 89%, registando uma queda de 63% em zonas com mercearia e farmácia. Na categoria parques, assistiu-se a uma diminuição de 86% da mobilidade, enquanto nas estações de transportes o recuo foi de 77%, no período em análise.

O movimento junto dos locais de trabalho baixou 60% e junto às zonas residenciais a subida foi de 27%.

No distrito de Lisboa, o relatório aponta para uma diminuição de 84% na categoria retalho e recreação e para uma queda de 58% no 'item' mercearia e farmácia. Nas estações de transporte, o movimento de pessoas caiu 79%, nos parques baixou 82% e nos locais de trabalho 56%. Já a mobilidade nas zonas residenciais subiu cerca de 22%.

No Porto e em Faro, o movimento de pessoas diminuiu em todas as categorias, com exceção na zona residencial, que subiu 23% em ambos os distritos.
Na categoria de retalho e recreação, a redução da mobilidade foi de 84% no Porto e de 83% em

Faro, com as estações de transporte a registarem uma diminuição do número de pessoas a circular de 79% e 82%, respetivamente.

Um mundo vazio

"Os relatórios mostram as tendências de várias semanas com os dados mais recentes representando dois a três dias antes, que é o tempo que é necessário para produzir" estes documentos, refere a Google.

Os dados incluídos nestes cálculos, refere a tecnológica, dependem das configurações, conectividade e se cumprem os critérios de privacidade.

"Incluímos categorias que são úteis para os esforços de distância social como também de acesso a serviços essenciais", refere a empresa, salientando que os dados são obtidos através dados de utilizadores que optaram por ter a localização ligada na sua conta Google.

"Como todas as amostras, isto pode ou não representar o comportamento exato de uma população mais ampla", conclui.

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ESPECIAL CORONAVÍRUS

Mais 37 mortes e 852 infetados em Portugal

A Direção-Geral da Saúde (DGS) anunciou esta sexta-feira a existência de 246 mortes e 9.886 casos de Covid-19 em Portugal.

O número de óbitos subiu, de ontem para hoje, de 209 para 246 - uma subida de 17,7% em relação a ontem -, enquanto o número de infetados aumentou de 9.034 para 9.886, mais 852, o que representa um aumento de 9,4%.

No que toca a doentes internados, o número subiu de 1.042 para 1.058. 245 estão em Unidades de Cuidados Intensivos, mais cinco em relação ao último balanço

O número de casos recuperados mantém-se nos 68.

Mais de 1 milhão de infetados, 53.693 mil mortos no mundo

A pandemia de covid-19 matou quase 54 mil pessoas em todo o mundo desde que a doença surgiu em dezembro na China, segundo um balanço da AFP às 11:00, a partir de dados oficiais.

De acordo com a agência de notícias francesa, morreram 53.693 pessoas, foram diagnosticados mais de 1.035.380 casos de infeção pelo novo coronavírus, que provoca a doença covid-19.

Foram consideradas curadas pelo menos 201.500 pessoas.

Itália, que registou a primeira morte ligada ao coronavírus no final de fevereiro, é o país mais afetado em número de mortes, com 13.915 mortes em 115.242 casos. 18.278 pessoas foram consideradas curadas pelas autoridades italianas.

Depois de Itália, os países mais afetados são Espanha, com 10.935 mortes, em 117.710 casos, os Estados Unidos com 6.058 mortes (245.573 casos), França com 5.387 mortes (73.743 casos) e a China continental com 3.322 mortes (81.620 casos).

A China (sem os territórios de Hong Kong e Macau), onde a epidemia começou no final de dezembro, contabilizou 81.620 casos (31 novos entre quinta e hoje), incluindo 3.322 mortes (quatro novas) e 76.571 curados.

Também os Estados Unidos estão a ser bastante afetados pela pandemia tendo sido registadas oficialmente 245.573 infeções, incluindo 6.058 mortes e 9.228 curados

Desde as 19:00 de quinta-feira, a Líbia, Quirguistão, Ilhas Marianas do Norte e Letónia anunciaram as primeiras mortes ligadas ao vírus.

A Europa contabiliza metade das infeções no mundo. Totalizou até às 11:00 de hoje 38.974 mortes para 559.459 casos, os Estados Unidos e o Canadá 6.192 mortes (256.641 casos), Ásia 4.071 mortes (114.053 casos), Médio Oriente 3.446 mortes (67.045 casos), América Latina e Caraíbas 691 mortes (24.959 casos), África 287 mortes (7.002 casos) e Oceânia 32 mortes (6.227 casos).