Coronavírus

O olhar de um fotojornalista em isolamento

Adriano Miranda (everydaycovid Instagram)

Uma conversa com Adriano Moreira, fotógrafo do Público, sobre o seu trabalho em tempo de pandemia de Covid-19.

Especial Coronavírus

Como muitos portugueses, o fotojornalista Adriano Moreira esteve em isolamento, perante a pandemia do novo coronavírus, e aproveitou para trabalhar a partir de casa. O resultado é uma galeria de imagens publicada no Público, onde trabalha há 23 anos, que mostra os momentos de reclusão da sua família.

Numa entrevista à SIC, o fotógrafo revela que foi a novidade da situação que o levou a partilhar as imagens tiradas em sua casa "como forma de documento" e "como forma de fazer história". O "bichinho" da profissão também é um dos motivos.

"São momentos nunca vividos no nosso país."

Sobre a falta de autorretratos, Adriano Moreira defende que um "jornalista não faz parte do seu próprio trabalho" e que encarou o trabalho como "se fosse um estranho".

"Para contar a história não faço falta nenhuma."

Nascido em Aveiro, o fotógrafo que trabalha na redação do Público no Porto acredita que é possível ter um olhar jornalístico sobre a própria realidade em que cada um está inserido. "Não vivemos numa bolha isolados", defende, dizendo ainda que o trabalho fotográfico prova que a vida do ser humano faz parte da sociedade.

"Fotografar é agora um ato de sobrevivência. O futuro será de todos"

É assim que a galeria é apresentada no site do Público, onde em 24 fotografias, Adriano Miranda mostra ao país - e ao mundo – o que se passa dentro de uma casa – a sua – durante o isolamento motivado pelo coronavírus.

"Um ato de sobrevivência em primeiro lugar para nós próprios fotógrafos habituados a tratar a fotografia com muito amor", são as palavras do fotógrafo, que defende a necessidade de ajudar a sociedade a combater a pandemia através de "fotografias jornalísticas de verdade".

"Picar o Ponto ", um projeto que homenageia as pessoas que continuam a trabalhar

O fotojornalista do Público confessa que, perante o isolamento prolongado, sentiu a necessidade de sair de casa. Daí surgiu o "Picar o Ponto", um projeto que "dá a importância às pessoas que continuam a trabalhar para que o país não pare".

Com as devidas precauções, começou a sair de casa para fotografar agricultores ou padeiros, entre outras profissões que não podem estar em regime de teletrabalho.

Adriano Miranda revela que foi uma "experiência extraordinária" e defende a "valentia" de todos aqueles que continuam a trabalhar.

"Dou muito valor aos trabalhadores e agora era a altura certa para os valorizar."

Adriano Miranda nasceu em Aveiro e formou-se em Fotografia no AR-CO em Lisboa. Fotojornalista do PÚBLICO há 23 anos, foi editor de fotografia e trabalhou na redação de Lisboa e, neste momento, está na redação do Porto. Professor em várias escolas e universidades, é também autor de vários livros de fotografia.