Coronavírus

CTT negam falta de plano de contingência na empresa

Rafael Marchante

Representantes dos trabalhadores denunciaram a falta de equipamentos de proteção individual.

Especial Coronavírus

Os CTT negaram hoje declarações dos representantes dos trabalhadores que denunciaram a falta de um plano de contingência na empresa, considerando-as "falsas e alarmistas" e que contribuem para a "destabilização" em plena pandemia da Covid-19.

Os representantes dos trabalhadores dos CTT para a Segurança e Saúde no Trabalho reivindicaram na segunda-feira condições de proteção dos trabalhadores e adequação dos horários à situação em que estão a cumprir as tarefas em plena pandemia da Covid-19.

Num comunicado, estes representantes dos trabalhadores denunciaram "a falta de um plano de contingência capaz de salvaguardar a saúde e segurança" dos funcionários dos CTT, destacando a falta de materiais e equipamentos de proteção, como luvas, máscaras ou desinfetante, nos diferentes locais de trabalho.

Hoje, em comunicado os CTT negaram e lamentaram "afirmações falsas e alarmistas, que no contexto em que se vive, só contribuem para a destabilização dos trabalhadores que tão nobremente têm servido a população portuguesa, num momento ímpar das suas vidas".

Na nota, os CTT "refutam veemente" as afirmações de Samuel Vieira, que integra esta comissão e a comissão de trabalhadores, que disse à agência Lusa que têm "alertado várias vezes a administração para esta gravosa situação", sem resultados aparentes.

"Pedimos, há cerca de uma semana, a marcação de uma reunião com caráter de urgência para discutir estas questões com a administração dos CTT, mas até agora não obtivemos qualquer resposta", disse Samuel Vieira.

Empresa afirmou que foram implementadas medidas de prevenção nos balcões de atendimento

Hoje, a empresa afirma ser "falso que não exista um plano de contingência", sublinhando que os CTT têm levado a cabo um conjunto de medidas mitigadoras do contágio que já foram "amplamente divulgadas quer pela rede de lojas quer pela distribuição".

"Estas medidas incluem, além do equipamento de proteção individual, na rede de atendimento, a redução dos horários de funcionamento das lojas, a espera pelos clientes fora das mesmas, um número de clientes dentro das lojas de acordo com o número de balcões em funcionamento e a existência de proteções acrílicas amovíveis em todos os balcões de atendimento; nos serviços centrais e o regime de teletrabalho, na rede de distribuição e outras áreas operacionais", é referido.

Incluem também a execução de uma estratégia de contingência em linha com a adotada pelos demais serviços públicos essenciais, baseada na rotatividade e alternância de equipas de modo a proteger os colaboradores e clientes e a assegurar a continuidade da atividade.

No âmbito das iniciativas de mitigação de risco, os CTT adiantam que desde logo conceberam o Plano de Contingência e Continuidade de negócio, tendo criado no início de março um Comité de Gestão de Crise, para assegurar a coordenação e implementação das medidas que constam do Plano de Contingência e Continuidade de negócio.

Os CTT destacam que o "plano de contingência e de mitigação do contágio previu, desde logo e para assegurar a segurança dos trabalhadores e clientes, a massificação da distribuição de equipamentos de proteção, não se escusando a procurar as melhores soluções, desde o gel desinfetante às máscaras, luvas e viseiras protetoras, donde se pode detalhar o material adquirido desde 6 de março".

A empresa adianta ainda na nota que está a organizar, por sua iniciativa, uma reunião através de meios tecnológicos, em linha com as orientações emanadas no atual contexto da infeção Covid-19 com os representantes dos trabalhadores.

"É falso que esta entidade não tenha obtido qualquer resposta da administração dos CTT, na medida em que não foi solicitada aos CTT a realização de qualquer reunião, tendo a mesma sido solicitada, isso sim, por uma outra entidade - a Comissão de Trabalhadores - que, de resto, já foi esta segunda-feira realizada e na qual foram debatidos assuntos relacionados com Planos de Contingência, disponibilização de equipamento de proteção Individual, entre outros", sublinha a empresa.

Em Portugal, segundo o balanço feito segunda-feira pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 311 mortes e 11.730 casos de infeções confirmadas. Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 2 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até ao final do dia 17 de abril, depois do prolongamento aprovado na quinta-feira na Assembleia da República.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infetou mais de 1,3 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 73 mil.