Coronavírus

Rangel e 13 eurodeputados do PPE pedem expulsão de partido húngaro

FERNANDO VELUDO

Dias depois do parlamento húngaro ter autorizado o executivo do primeiro-ministro húngaro a governar indefinidamente.

Especial Coronavírus

O eurodeputado do PSD Paulo Rangel e outros 13 chefes de delegação do Partido Popular Europeu (PPE) pediram esta terça-feira a expulsão do partido húngaro Fidesz, exigindo ao líder parlamentar daquela família política, Manfred Weber, uma "posição clara" sobre esta questão.

Numa carta enviada ao líder da bancada do PPE, os chefes das delegações portuguesa, luxemburguesa, dinamarquesa, sueca, finlandesa, belga (que tem dois líderes), polaca, maltesa, lituana, checa, eslovaca, holandesa e estoniana vincam esperar "que o grupo assuma uma posição clara, que deve refletir, pelo menos, as decisões do partido, quando se trata de defender os seus valores fundamentais e convicções políticas".

Dias depois de o parlamento húngaro ter autorizado o executivo do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, a governar indefinidamente por decreto para combater o novo coronavírus, os signatários da carta pedem que "se tirem as consequências necessárias deste ataque adicional [de Budapeste] aos valores europeus e aos valores fundadores do PPE".

O partido de Viktor Orbán, o Fidesz, foi suspenso (sob condição de futura reavaliação) do PPE em março de 2019 por repetidas posições consideradas antieuropeias e contrárias aos princípios e valores do partido, mas mantém-se como membro desta família política.

Entretanto, no final de março passado, o parlamento húngaro aprovou uma reforma legislativa que permite ao executivo governar por decreto, prolongar o estado de emergência indefinidamente e suspender o calendário eleitoral, com a justificação de fazer face à pandemia de covid-19.

"Embora existam certas medidas extraordinárias que podem ser consideradas necessárias por razões de saúde pública, continua a ser de extrema importância que permaneçam em vigor os escrutínios e os equilíbrios apropriados e que essas medidas possam ser revertidas quando a emergência passar", vinca Paulo Rangel e os outros 13 eurodeputados.

Assumindo estarem "profundamente preocupados com os desenvolvimentos na Hungria", estes eleitos do PPE salientam que "usar uma pandemia para reprimir as liberdades civis e promover uma agenda política iliberal, enquanto bode expiatório da União Europeia para fins políticos domésticos, é cínico".

"O partido do PPE e o grupo do PPE [no Parlamento Europeu] têm a obrigação moral de defender a democracia liberal e o Estado de direito, especialmente em tempos como a profunda crise que estamos a atravessar", adiantam.

Em declarações à Lusa na semana passada, o eurodeputado do PSD e também vice-presidente do PPE, Paulo Rangel, admitiu "muita preocupação" com esta situação.

"Estou muito preocupado com a questão do estado de emergência indeterminado na Hungria e acho que isso é problemático, não haver uma data limite, além de colocar a liberdade de imprensa fortemente sob pressão e coação", referiu.

Essas declarações à Lusa foram feitas um dia depois de o presidente do PPE, Donald Tusk, ter pedido aos membros desta família política - entre aos quais o PSD - que reconsiderassem, à primeira oportunidade, a expulsão do Fidesz.

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