Coronavírus

Gilead anuncia "resultados positivos" com medicamento Remdesivir em doentes com Covid-19

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Laboratório norte-americano revela dados do seu aguardado ensaio clínico, mas revista científica The Lancet divulga outro estudo com resultados bem diferentes.

Especial Coronavírus

O laboratório norte-americano Gilead anunciou hoje que o seu medicamento experimental antiviral Remdesivir obteve "resultados positivos" em doentes com Covid-19 no âmbito de um grande ensaio clínico muito aguardado feito em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde norte-americanos (NIH).

Os resultados preliminares indicam que os os doentes tratados com o antiviral recuperaram mais depressa. Outra das primeiras conclusões é que o Remdesivir tem mais sucesso se for administrado nos estádios iniciais da infeção.

"A Gilead Sciences tem conhecimento dos dados positivos resultado do estudo conduzido pelo Instituto Nacional das Alergias e Doenças Infecciosas sobre o seu medicamento antiviral Remdesivir no tratamento da Covid-19", indica a sociedade no comunicado, sem acrescentar mais pormenores.

Grande ensaio clínico muito aguardado

O ensaio em causa está a ser realizado desde 25 de fevereiro pelo Instituto Nacional das Alergias e Doenças Infecciosas (NIH/NIAID), cujo diretor é Anthony Fauci.

O grupo foi constituído por 800 infetados com o novo coronavírus nos Estados Unidos, na Europa e Ásia e compara os efeitos de um placebo com os do Remdesivir.

Este medicamento foi inicalmente desenvolvido para o tratamento do Ébola, mas acabou por nunca ser aprovado para o tratamento de qualquer outra doença.

Há numerosos ensaios clínicos em curso pelo mundo com outros medicamentos, nomeadamente outros antivirais ou a hidroxicloroquina.

O Remdesivir acelera em 31% o tempo de recuperação de um doente com Covid-19

Em comunicado divulgado horas depois do anúncio da Gilead, o Instituto Nacional das Alergias e Doenças Infecciosas, revela que "o medicamento experimental Remdesivir acelerou em 31% os tempos de recuperação dos doentes com Covid-19".

Comparando com os doentes que receberam o placebo, os pacientes tratados com o Remdesivir "recuperaram em 11 dias [tempo médio] em vez de 15 dias".

O ensaio incluiu 1.063 doentes em fase avançada damCovid-19 e com problemas pulmonares, de 47 locais dos EUA e 21 na Europa e na Ásia.

Ligeira diferença na taxa de mortalidade em cada um dos grupos

Estes resultados preliminares não mostram, no entanto, se o medicamento salva vidas. No que respeita à taxa de mortalidade, o resultado não é muito significativo.

No grupo que foi tratado com o Remdesivir a taxa foi de 8% contra os 11,6% do grupo que tomou o placebo, uma diferença muito ligeira e que pode ser até atribuída ao acaso.

Ensaio com Remdesivir na China pouco promissor

Os resultados de um outro ensaio clínico com o Remdesivir na China - em menor escala, com 237 doentes - foram divulgados por erro a 24 de abril no site da OMS, mas hoje publicados na revista científica The Lancet.

O medicamento Remdesivir "não tem benefício clínico significativo" contra a Covid-19, escrevem os autores, contradizendo assim os resultados do laboratório Gilead.

"O tratamento com Remdesivir não acelera a recuperação nem reduz a mortalidade associada à Covid-19 comparando com um placebo". "Infelizmente, o nosso ensaio mostrou que, apesar de bem tolerado, o Remdesivir não trouxe benefícios significativos", comentou o autor principal do estudo, professor Bin Cao, citado num comunicado da The Lancet.

Acrescentou, no entanto, que só conseguiram fazer o ensaio com 237 infetados quando o objetivo era 453, uma vez que a epidemia foi entretanto contida em Wuhan, razão pela qual os autores acreditam que se justifica continuar os trabalhos.

"Outros estudos são necessários para determinar se um tratamento [numa fase] mais precoce com Remdesivir, com doses mais elevadas ou em associação com outros antivirais ou anticorpos, possa ser mais eficaz em pacientes que contraíram a forma mais grave da doença", afirmou Bin Cao.

O ensaio foi conduzido entre 6 de fevereiro e 12 de março em 10 hospitais de Wuhan. Os doentes escolhidos tinham de ter sintomas pelo menos há 12 dias e ter o diagnóstico de uma pneumonia confirmado por raios-x.

158 doentes receberam diariamente o Remdesivir e 79 tomaram um placebo, todos durante 10 dias.

O ensaio não mostrou diferenças significativas entre os dois grupos nem do ponto de vista de uma melhoria do estado clínico, nem do ponto de vista da mortalidade durante os 28 dias que durou.

No entanto, segundo um outro cientista, que nao fez parte deste estudo, o professor Saad Shakir, diretor da Unidade de Investigação de Segurança de medicamentos britânica, citado pela AFP:

"Não é o fim da história para o Remdesivir uma vez que outros estudos estão em curso para avaliar a sua eficácia contra a Covid-19".

Investigador portugês diz que Remdesivir é o medicamento mais promissor

Em entrevista à SIC Notícias a 26 de março, o médico investigador Hugo Silva dizia que o Remdesivir é o medicamento mais promissor para tratar as pessoas com o novo coronavírus.

Mais 25 mortes e 183 casos de Covid-19 em Portugal

A Direção-Geral da Saúde (DGS) anunciou esta quarta-feira a existência de 973 mortes e 24.505 casos de Covid-19 em Portugal.

O número de óbitos subiu, de ontem para hoje, de 948 para 973, mais 25 - uma subida de 2,6% -, enquanto o número de infetados aumentou de 24.322 para 24.505, mais 183, o que representa um aumento de 0,7%.

O número de casos recuperados subiu de 1.357 para 1.470.

Portugal vai terminar no sábado, 02 de maio, o terceiro período de 15 dias de estado de emergência, iniciado em 19 de março, e o Governo deverá anunciar na quinta-feira as medidas para continuar a combater a pandemia.

Mais de 217 mil mortos e mais de três milhões de infetados em todo mundo

A pandemia de covid-19 já matou 217.439 pessoas e infetou 3.104.330 em 193 países, desde que surgiu em dezembro na cidade chinesa de Wuhan, segundo um balanço da AFP às 11:00.

Pelo menos 859.100 pessoas foram consideradas curadas pelas autoridades de saúde.

Os Estados Unidos, que registaram a primeira morte ligada ao coronavírus no final de fevereiro, lideram em número de mortos e casos, com 58.355 e 1.012.583, respetivamente. Pelo menos 115.936 pessoas foram declaradas curadas pelas autoridades de saúde nos Estados Unidos.

Depois dos Estados Unidos, os países mais afetados são Itália, com 27.359 mortos para 201.505 casos, Espanha com 24.275 mortos (212.917 casos), França com 23.660 mortos (168.935 casos) e Reino Unido com 21.678 mortos (161.145 casos).

A China (excluindo os territórios de Hong Kong e Macau), onde a epidemia começou no final de dezembro, contabilizou 82.858 casos (22 novos entre terça-feira e hoje), incluindo 4.633 mortos (nenhuma nova) e 77.578 curados.

O Chade anunciou na terça-feira os primeiros mortos ligados ao vírus no seu território.

Até às 14:00 de hoje a Europa totalizou 130.002 mortos para 1.433.753 de casos.

Até às 11:00 de hoje, os Estados Unidos e Canadá contabilizavam 61.284 mortos (1.062.398 casos), América Latina e Caraíbas 9.827 mortos (189.199 casos), Ásia 8.376 mortos (213.792 casos), Médio Oriente 6.587 mortos (164.629 casos), África 1.526 mortos (34.786 casos) e Oceânia 116 mortes (8.057 casos).

A AFP alerta que o número de casos diagnosticados reflete apenas uma fração do número real de infeções, já que um grande número de países está agora a testar apenas os casos que requerem atendimento hospitalar.