Coronavírus

França prolonga estado de emergência sanitária até 24 de julho

Charles Platiau

Governo francês anunciou também que vai impor uma quarentena de 14 dias a todas as pessoas provenientes de outros países.

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O Governo francês decidiu prolongar por dois meses, até 24 de julho, o estado de emergência sanitária em vigor para combater a epidemia de covid-19, anunciou o ministro da Saúde, Olivier Véran.

Em vigor desde 24 de março, o estado de emergência sanitária é prolongado pois o seu levantamento em 23 de maio "seria prematuro", dado que "os riscos de recuperação epidémica" estão "comprovados em caso de interrupção súbita das medidas em curso", indica o projeto de lei analisado hoje em Conselho de Ministros e que deve ser apresentado a partir de segunda-feira no parlamento.

O texto precisa nomeadamente as condições de quarentena para as pessoas que chegam a França e para os infetados. Também refere a criação de um "sistema de informação" relativo aos doentes e aos que lhe estão próximos com uma duração máxima de um ano.

O objetivo é "consolidar o quadro jurídico" e "ampliá-lo" para "integrar os desafios do desconfinamento", que deve começar em 11 de maio, indicou Olivier Véran no final do Conselho de Ministros.

"Aprender a viver com o vírus é o desafio dos próximos meses", adiantou o ministro.

França vai impor quarentena de 14 dias a quem chega do estrangeiro

França vai impor uma quarentena de 14 dias a todas as pessoas provenientes de outros países para combater a pandemia de covid-19, anunciou o governo francês.

A medida, à qual se associa o isolamento até 30 dias para os viajantes que tenham diagnóstico positivo para a infeção provocada pelo novo coronavírus, integra o projeto de lei do executivo para a renovação do estado de emergência, que está em vigor no país desde 24 de março.

"A quarentena de 14 dias é imposta a qualquer pessoa que entre no território - incluindo a Córsega e os departamentos e territórios ultramarinos - que não apresente sintomas, seja francesa ou estrangeira", afirmou o ministro da Saúde, Olivier Véran, em conferência de imprensa, após a reunião do Conselho de Ministros.

Segundo Véran, aqueles que tiverem um diagnóstico positivo serão colocados em regime de isolamento em condições a serem organizadas pela administração e com base num parecer médico.

O ministro esclareceu ainda que quem não concordar com o cumprimento destas regras será devolvido para o local de origem. Apesar destas medidas de restrição para os viajantes, o ministro francês do Interior, Cristophe Castaner, assegurou que "não há um calendário" para a reabertura das fronteiras, quer dentro do espaço Schengen quer fora dele, assegurando apenas que a situação será discutida "a nível europeu" e terá um cariz "progressivo".

Por outro lado, o governo francês não definiu qualquer mecanismo juridicamente vinculativo para impor o isolamento das pessoas que estejam infetadas com o SARS-CoV-2 em França, tendo Olivier Véran sublinhado a aposta na "confiança" e na "responsabilidade" dos cidadãos franceses.

No entanto, está prevista neste projeto de lei - que deve ser apresentado na segunda-feira no parlamento - a criação de ficheiros sobre os doentes com covid-19, a fim de permitir a localização das pessoas com quem possam ter estado em contacto e, assim, tentar evitar a criação de novos surtos e a propagação da doença.

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