Coronavírus

Artistas de todo o mundo dizem “Não ao retorno ao normal”

Juliette Binoche

reuters

O grupo, onde se incluem, entre outros, artistas e cientistas, como Madonna, Cate Blanchett, Philippe Descola, Albert Fert, alerta para aquela que será talvez a única virtude da crise que o mundo está a atravessar - o convite a enfrentar questões essenciais.

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O apelo, que surgiu da iniciativa de Juliette Binoche e Aurélien Barrau, é assinado por mais de 200 personalidades mundiais.

O grupo, onde se incluem, entre outros, artistas e cientistas, como Madonna, Cate Blanchett, Philippe Descola, Albert Fert, alerta para aquela que será talvez a única virtude da crise que o mundo está a atravessar - o convite a enfrentar questões essenciais.

Os artistas entendem que os problemas que se colocam ao mundo são sistémicos e, como tal, que não se resolvem com pequenos ajustes, e sim com mudanças profundas nos estilos de vida, consumo e economias.

E é daqui que partem para dizer, numa carta publicada pelo jornal francês Le Monde, "por favor, não voltemos ao normal".

O atual desastre ecológico, afirmam, "faz parte de uma meta-crise: a extinção maciça da vida na Terra não está mais em dúvida, e todos os indicadores apontam para uma ameaça existencial direta. Ao contrário de uma pandemia, por mais grave que seja, é um colapso global cujas consequências serão incomensuráveis".

O apelo é dirigido aos cidadãos e aos líderes mundiais, para que abandonem as atuais práticas, insustentáveis, e se concentrem numa revisão drástica de objetivos e valores.

"O consumismo levou-nos a negar a própria vida: a das plantas, a dos animais e a de um grande número de seres humanos. Poluição, aquecimento global e destruição de espaços naturais estão a conduzir o mundo para um ponto de ruptura", lê-se na carta.

"Por essas razões, combinado com as crescentes desigualdades sociais, parece-nos impensável voltar ao normal".

O texto reconhece que a transformação que defendem é radical, mas necessária. Para isso, os cerca de 200 signatários pedem audácia e coragem.

"Isto não ocorrerá sem um compromisso massivo e determinado. Para quando os atos? É uma questão de sobrevivência, tanto quanto de dignidade e consistência."