Coronavírus

O regresso "inesperado" e "inopinado" do navio-escola Sagres

O regresso "inesperado" e "inopinado" do navio-escola Sagres

Ana Geraldes

Ana Geraldes

Jornalista

Pedro Carpinteiro

Pedro Carpinteiro

Repórter de Imagem

Ministro da Defesa recebeu marinheiros que deveriam viajar 1 ano à volta do mundo.

Especial Coronavírus

O mundo era bem diferente a 5 de janeiro quando os 142 elementos da guarnição do navio-escola Sagres partiram para uma viagem com regresso previsto para janeiro de 2021.

Um ano à volta do mundo seria uma prova de resistência e uma missão de celebração dos 500 anos da circum-navegação de Fernão de Magalhães.

Mas em menos de dois meses, tudo mudou. A evolução da pandemia de Covid-19 levou os países a restringirem a entrada de embarcações e a limitarem o desembarque nos portos - Portugal também o fez - além de que o simbolismo de uma viagem de representação neste momento não seria o mais adequado.

A 24 de março, quando seguia para a Cidade do Cabo, na África do Sul, foi decidido o regresso.

O navio-escola Sagres chegou, na manhã deste domingo, à base naval de Lisboa, no Alfeite.

Com a presença também no ministro do Mar, o ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, disse partilhar da "tristeza" dos marinheiros pelo regresso "inesperado, inopinado e diferente daquilo que imaginavam".

E fez questão também de avisar que Portugal mudou desde que iniciaram a viagem, sendo um país diferente "apesar do confinamento ou por causa desse confinamento".

Um sentimento que o comandante Maurício Camilo não escondeu que têm neste momento os que voltam a casa e terão que se deparar com "uma nova realidade".

É certo que o têm acompanhado pelas notícias e pela Internet, mas "viver na primeira pessoa provavelmente vai ser preciso alguma capacidade extra de adaptação", disse, confessando que obviamente que todos estavam entusiasmados e empenhados na missão, mas o regresso "era inevitável".

Quanto ao retomar da viagem, num futuro próximo, fica em aberto. Diz mesmo que, por enquanto, "está em pausa" e dependerá de vontade política voltar ao mar com a Sagres para fazer uma viagem de um ano, sendo que o próprio ministro Gomes Cravinho lembra que Fernão de Magalhães demorou 3 anos a cumprir circum-navegação, há 500 anos.