Coronavírus

Cidadão morto por disparos da polícia angolana na tentativa de dispersão de populares

Baz Ratner

Incidente ocorreu durante uma operação de fiscalização.

Especial Coronavírus

A Polícia angolana anunciou hoje a morte de um jovem, de 21 anos, em Luanda, na sequência de disparos efetuados por efetivos policiais, para dispersar um aglomerado de pessoas.

Segundo um comunicado da direção de comunicação institucional e imprensa da Delegação Provincial de Luanda do Ministério do Interior, o facto ocorreu na noite de sábado, na zona do Rocha Pinto, envolvendo a esquadra móvel do bairro Huambo, naquela localidade nos arredores da cidade de Luanda.

O documento detalha que o incidente ocorreu quando a polícia, no âmbito do trabalho de fiscalização das medidas de prevenção da pandemia da Covid-19, registou no bairro Huambo um aglomerado de pessoas, que mostraram resistência às forças da ordem, quando estas tentaram dispersá-las.

De acordo com a polícia, os cidadãos "partiram para agressão contra as forças da ordem, arremessando paus, pedras e garrafas".

"Na tentativa de dispersão, em defesa da sua própria integridade física, as forças da ordem efetuaram disparos que, acidentalmente atingiram o cidadão em causa que foi rapidamente socorrido ao hospital Josina Machel, ainda em vida, mas, infelizmente, acabou por falecer", salienta a nota.

Face à ocorrência, descreve o comunicado, houve por parte dos moradores a tentativa de vandalização da esquadra móvel, bem como de algumas viaturas que ali se encontravam estacionadas, mas a pronta intervenção das forças da ordem foi possível acalmar os ânimos dos moradores.

Governo apela aos cidadãos para "acatarem" medidas preventivas

"A delegação do Ministério do Interior em Luanda exorta aos cidadãos a acatarem com as medidas impostas pelo Estado de emergência face à pandemia da Covid-19 e colaborar com as autoridades no sentido de ultrapassarmos todos juntos, combatendo o inimigo invisível", refere a nota.

Este é o registo da primeira morte por efetivos da polícia no decorrer da implementação das medidas de prevenção e combate à Covid-19, no âmbito do Estado de emergência, que Angola cumpre a terceira prorrogação, depois da declaração a 27 de março passado.

Entretanto, os relatos de confrontação entre civis e polícia têm sido constantes desde que se iniciou o Estado de emergência.

Na sexta-feira, o ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República de Angola reafirmou que nada deverá justificar excessos cometidos por polícias contra cidadãos na aplicação das medidas do Estado de emergência.

Pedro Sebastião, que falava na Assembleia Nacional de Angola, respondia à preocupação com esta situação levantada por deputados.

Governo ter recebido queixas da população relativamento à atuação da Polícia Nacional

O auxiliar do chefe de Estado angolano frisou que o Governo tem recebido chamadas de atenção "para a atitude, por vezes, de alguns elementos da Polícia Nacional, que, agindo à margem daquilo que está orientado, cria algum desconforto aos cidadãos e até mesmo, em alguns casos, à sociedade".

"Em sede própria, o ministro do Interior referiu-se a isso e agiu em conformidade, e por isso estamos aqui para também reafirmar esse aspeto, de que nada, mas nada, deverá justificar a utilização desproporcional dos meios que possuímos, no que concerne à ordem e à tranquilidade das populações".

Angola regista até à presente data 45 casos positivos de covid-19, dos quais duas pessoas morreram e 11 se recuperaram.

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