Coronavírus

Lares já aceitam visitas (mas nem todos) 

Paulo Ravara

Paulo Ravara

Jornalista

Receio de novos contágios leva muitas instituições a manterem a porta fechada apesar das novas regras. 

Especial Coronavírus

Esta segunda-feira, pela primeira vez em mais de dois meses, voltou a ser possível fazer visitas a idosos nos lares.

Um momento de expectativa que em muitos casos teve de ser adiado. É que nem todos os lares estão já em condições de abrir portas, mesmo com medidas de segurança apertadas.

É o caso do Lar Asas Santa Joana, em Aveiro, onde o diretor de serviços, Vítor Martins, prefere esperar para ver.

"Os nossos governantes abriram o desconfinamento à sociedade e vemos agora mais gente a circular. Mas acho que temos de esperar mais algum tempo para ver o que é que isto vai dar porque se isto corre mal, será um desastre", disse à SIC.

Há mais de dois meses que os idosos dos lares de todo o país têm recebido as visitas dos familiares por videochamada. Com as novas regras, já será possível o encontro físico, sem contacto, já que é obrigatório manter 2 metros de distância. "É estranhíssimo. Tenho até o caso de duas familiares que me disseram que não sabem o que vai passar na cabeça do pai quando se aproximarem e não o puderem beijar", confidenciou à SIC João Ferreira de Almeida, presidente da Associação de Lares e Casas de Repouso de Idosos.

De acordo com as novas regras, as visitas têm de ser marcadas e podem durar no máximo 90 minutos. Cada residente só pode receber uma visita por semana, de um único visitante. O encontro tem de ficar registado com informação do visitante, do visitado, data, hora e contactos telefónicos. Além disso, um funcionário do lar tem de acompanhar a visita. "Essencialmente para que não haja o excesso do toque, do carinho, da proximidade que neste momento está a fazer falta a tanta gente e aos nossos idosos", disse Mónica Marques, diretora do Lar de Farminhão, em Viseu.

Os familiares têm de usar máscara e não podem levar objetos pessoais ou alimentos. A DGS recomenda que os encontros sejam feitos no exterior. Além disso, os lares são obrigados a guardar registo de visitas com data, hora, nome do visitante e do visitado e contacto telefónico.

É entre os mais velhos que a taxa de letalidade da covid19 é maior. De acordo com os dados disponíveis às 12h desta segunda-feira, mais de 6700 infetados, em Portugal, tinham mais de 70 anos.

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