Coronavírus

Confinamento fez cair emissões globais de dióxido de carbono em 17%

Nova Deli a 1 de novembro de 2019, em cima, e a 20 de abril de 2020.

Manish Swarup / AP

A equipa de investigadores analisou as medidas de confinamento dos 69 países mais poluentes, responsáveis por 97% das emissões globais de dióxido de carbono.

Especial Coronavírus

As emissões globais de dióxido de carbono caíram 17 por cento com o confinamento das populações provocado pela pandemia da covid-19, um efeito extremo mas fugaz, de acordo com os cientistas.

Num estudo publicado hoje no boletim científico Nature Climate Change, demonstra-se que no início de abril, quando as medidas de restrição de movimentos de populações estavam no auge, emitiram-se menos 17 milhões de toneladas de dióxido de carbono do que no mesmo período de 2019.

A queda das emissões aproximou-se dos níveis que se verificavam em 2006, sobretudo devido à redução de cerca de 43% nas deslocações em automóvel, percentagem semelhante à queda registada nos setores da indústria e produção de energia.

Embora seja o setor económico mais afetado pela pandemia, a aviação só produz 3% das emissões globais e apenas teve papel em 10% da redução.

Em cada país em que foram impostas restrições aos movimentos, as emissões caíram em média 26% no auge do confinamento.

“O confinamento das populações levou a mudanças drásticas no consumo de energia e emissões de dióxido de carbono. Estas reduções extremas deverão ser temporárias, contudo, porque não refletem mudanças estruturais nos sistemas económicos, de transporte ou energéticos”, afirmou a investigadora Corinne le Quéré, da universidade britânica de East Anglia.

Acrescentou que tornar estas mudanças mais duradouras depende de “iniciativas de estímulo económico que ajudem a cumprir as metas climáticas, especialmente no que toca à mobilidade, que foi responsável por metade da redução das emissões durante o confinamento”.

“Por exemplo, nas cidades e subúrbios, incentivar o andar a pé ou de bicicleta e a expansão de bicicletas elétricas é mais barato e melhor para o bem-estar e a qualidade do ar do que construir estradas, além de permitir manter o distanciamento social”, afirmou.

A equipa de investigadores analisou as medidas de confinamento dos 69 países mais poluentes, responsáveis por 97% das emissões globais de dióxido de carbono.

Este ano, prevê-se uma queda entre 4% e 7% nas emissões globais de dióxido de carbono, dependendo do tempo que durarem as medidas de confinamento e o ritmo da recuperação económica.

Esta redução é semelhante ao que teriam que cair anualmente as emissões para, ao cabo de décadas, se cumprirem as metas do Acordo de Paris para a limitação do aumento da temperatura global.

“A queda nas emissões é substancial, mas ilustra o desafio de cumprir os compromissos de Paris. Precisamos de mudanças sistémicas, com energia verde e carros elétricos, não de reduções temporárias por causa de comportamentos forçados”, considerou Rob Jackson, da Universidade de Stanford.

Antes e depois da poluição nas cidades

Mais de 318 mil mortos e 4,8 milhões de casos de Covid-19 em todo o mundo

A pandemia do novo coronavírus já matou pelo menos 318.517 pessoas e infetou mais 4.816.040 em 196 países e territórios desde o início da epidemia, em dezembro de 2019 na cidade chinesa de Wuhan, segundo um balanço da agência AFP, às 11:00 hoje, baseado em dados oficiais.

Entre esses casos, pelo menos 1.755.700 foram considerados curados.

Os Estados Unidos, que registaram a primeira morte ligada à covid-19 no início de fevereiro, são o país mais afetado em termos de número de mortes e casos, com 90.369 óbitos em 1.508.957 casos. Pelo menos 283.178 pessoas foram declaradas curadas.

Depois dos Estados Unidos, os países mais afetados são o Reino Unido com 34.796 mortes para 246.406 casos, Itália com 32.007 mortes (225.886 casos), França com 28.239 mortes (179.938 casos) e Espanha com 27.709 óbitos (231.606 casos).

A China (sem os territórios de Hong Kong e Macau), onde a epidemia começou no final de dezembro, contabilizou oficialmente um total de 82.960 casos (seis novos entre segunda-feira e hoje), incluindo 4.634 mortes e 78.241 recuperações.

A Europa totalizou 167.668 mortes para 1.919.572 casos, Estados Unidos e Canadá 96.312 mortes (1.587.029 casos), América Latina e Caraíbas 30.604 mortes (547.252 casos), Ásia 12.674 mortes (374.905 casos), Médio Oriente 8.296 mortes (290.672 casos), África 2.835 mortes (88.204 casos) e Oceânia 128 mortes (8.414 casos).

Mais 16 mortos e 223 novos casos de Covid-19 em Portugal

A Direção-Geral da Saúde (DGS) anunciou esta terça-feira a existência de 1.247 mortes e 29.432 casos de Covid-19 em Portugal.

O número de óbitos subiu, de ontem para hoje, de 1.231 para 1.247, mais 16, enquanto o número de infetados aumentou de 29.209 para 29.432, mais 223, o que representa um aumento de 0,76%.

O número de casos recuperados subiu de 6.430 para 6.431.

Links úteis

Mapa com os casos a nível global